segunda-feira, 27 de julho de 2009


Uma pessoa especial me disse: "eu não temo as bruxas, tenho muito respeito por elas. São seres que merecem muito respeito."

Fui atingida por essa aparentemente tão simples afirmação.


"São seres que merecem muito respeito", disse ela.

Depois do inesperado impacto que me causou aquele julgamento tão livre de estereótipos, perguntei a essa amiga por que ela afirmava isso. Ela prontamente explicou: "é que vocês são seres que tem uma carga de vidas passadas de muita incompreensão e sofrimento por serem o que são, admiro os que permanecem fazendo o bem".


Puxa, aquilo foi como a voz do oráculo, uma resposta clara a uma reflexão que me perseguia há muito tempo.
Andei enculcada, remoendo o motivo que levaria a tantos fatos, na minha concepção, inapropriados a nós seres que se supõem de consciência mais elevada que a maioria da humanidade. O que vemos é uma constante queda nas armadilhas do Ego, uma guerra psicológica, física e até astral entre alguns de nós, sem falar a facilidade e rapidez com que nos julgamos e julgamos os outros (especialmente os do nosso meio).
Não só julgamos a nós e aos outros com rapidez, mas sobretudo com severidade. Eu nunca havia pensado que o motivo poderia estar no passado, além é claro de vários outros motivos específicos.


O importante é que o ponto de vista dessa amiga especial abriu um horizonte mais ameno, e eu passarei a julgar com menos severidade a mim mesma e aos que me cercam. A exigir menos de mim e das outras pessoas, pois quem pode saber o motivo de cada um?
Quem pode julgar a sabedoria dos outros, tanto quanto a de si mesmo? Para isso teríamos que ter acesso à Verdadeira Sabedoria, para que nos servisse de parâmetro. Isso, infeliz ou felizmente só é possível a pouquíssimos seres desse planeta. O fato é que, mesmo em graus diferentes, estamos todos aqui em busca dessa sabedoria, tentando neste caminho cheio de penumbras iluminar a nossa centelha, nossa luz interior.
Esse post foi especial pra ti Lu, tu sabe né? heheheh

domingo, 26 de julho de 2009

O crânio na Bruxaria

Ao longo da História a humanidade tratou e compreendeu a morte de modos diversos, da relação de maior intimidade (lavando seus mortos, preservando seus corpos, adorando seus ossos) até a total repulssa e negação (como é mais comum em nossos dias). Mas, a bruxaria e outras escolas mágicas sempre manteram uma estreita afinidade e respeito pela morte, pois representa para nós a passagem deste mundo de sonho para o Outro Mundo, onde habitam os Antigos e onde encontramos a verdadeira Sabedoria.
Os ossos, e em especial, o crânio é elemento muito comum e importante nos altares de bruxaria.



Nos diz Evan John Jones, em seu livro Sacred mask, sacred dances:


"...a Estaca expressa o conceito da Deusa, do Deus Chifrudo e da Criança Chifruda. Quando a Taça é colocada no lado esquerdo da Estaca, simboliza a Deusa e os Mistérios Femininos .Colocada a faca no lado direito, representa o Velho Deus Chifrudo. Remova a faca e substitua-o pelo crânio e ossos cruzados. E aí torna-se o símbolo da total transformação no ciclo da morte e ressureição. Também significa a transformação do não iniciado em bruxo, que em efeito significa a morte de uma vida passada e o início de uma nova como seguidor da Velha Religião. Retire a caveira e os ossos e substitua-os pela foice e você tem o símbolo da morrente Criança Divina sobre a Cruz Tau do carvalho Kern, voluntariamente se sacrificando para os Velhos Deuses deixarem o Jovem Rei reinar".


Já para Gerald Gardner:


"... quando o Deus não estava presente, ele era representado por uma caveira e ossos cruzados. A morte e o que está além. A Sacerdotisa de pé com os braços cruzados representa a caveira com os ossos em cruz. Abre seus braços em posição de pentagrama, que significa regeneração".


Alex Sanders (foto) também devia saber muito bem disso.


Além do que já foi dito, o crânio é também o canal para o fortalecimento e contato com a "companhia oculta", ou seja, um local onde o espírito de uma bruxa(o) morta(o) possa "habitar" quando chamado a aconselhar e inspirar o clã. Para isso, existem ritos próprios em cada Tradição ou Escola de Mistérios.



A Rosa da Alma


Esta noite eu morri.
Mirei o sol do poente e com ele mergulhei na linha do horizonte.
Mergulhei, sumi por entre os ramos da Grande Floresta.
Juntei-me e Ti.
Meu corpo jazia sobre um leito,
Uma grande laje por entre as pedras.
Ali, um grande roseiral crescia enquanto meu corpo se decompunha.
Os ramos se entrelaçavam por meus membros brancos,
Os espinhos furavam a carne e um vento gelado açoitava meu cabelo.
Então eu vi.
Sobre meu corpo:
Quando não mais que ossos descarnados e claros havia,
Mesmo assim o roseiral crescia
Tomando meus ossos, por entre eles se estendia.
Vi
Que mesmo assim cresciam botões
Que se transformaram em rosas
E elas cobriram meus ossos, invadiram meu esqueleto
E tornaram meu túmulo um jardim
E meu crânio um vazo para uma bela rosa

Havia, além desta, uma porta.
E além dela uma estrada longínqua.
Segui.
Pequenas e delicadas pastilhas de pedra brilhante conduziam.
E lá, numa colina distante,
Soçobravam ao vento torres, contra um céu noturno e estrelado.
E ouvia-se o quebrar constante de ondas num penhasco triste e solitário.
Segui.
Novos e mais belos roseirais se abriam a minha passagem
Como se guardiões fossem da jornada.
E como gotas de sangue sobre a noite, as rosas exalavam seu aroma Misterioso na madrugada
Consegui.
Deparei-me com a Morada.
Lá estava Ela.
Uma porta aberta, um salão amplo, uma luz diáfana.
Uma roseta de mosaico formava o chão sempre girante.
Sempre novas e interessantes saídas ou entradas se mostravam
A todo instante.
No centro a Fonte. Da morte? Da vida?
E naquele líquido suave me dilui e constei,
Transformei-me e permaneci,
Existi e tornei.

Encontrei-me
Novamente sobre a laje,
Do meu corpo, em sono profundo
No vale uma tênue luz rosada despontava.

por Luz le Fay

sábado, 25 de julho de 2009

O jardim das bruxas - Parte I

O Vôo
Os unguentos de vôo eram feitos com flores, bagos, folhas e raízes que tivessem propriedades tóxicas e alucinógenas. Esta pasta era passada nas mucosas e dobras do corpo. Muitas histórias contam que as bruxas passavam o unguento no cabo das vassouras e nele se esfregavam pois a fricção aumentava a eficácia das toxinas.

Dentre as plantas usadas, as preferidas e mais citadas pela literatura são:


Datura stramonium L.

Os espinhos do estramônio ou herva do diabo representavam perigo para todos que se aproximassem desta linda flor de aroma inebriante. Só as bruxas não os temiam. Poucas gotas da toxina alucinógena desse bago espinhoso, misturadas em um unguento de vôo provocavam visões por horas.

Aconitum napellus L.

As flores roxas em forma de capuz do acônito acolhem uma alta toxidade. Esta é erva sagrada para Hecate, a Mãe Bruxa, altera os batimentos cardíacos e produz sensação de queda ou vôo.


Cicuta visora

É no talo das pequenas flores rendadas da cicuta que se encontra um poderoso néctar venenoso. Esta toxina intensifica a sensação de deslizar pelos ares. Para acelerar o efeito as bruxas deviam aplicar o unguento nos genitais.

A promessa da Rosa

Nas palavras de Evan John Jones :
"A promessa da Rosa torna-se depois a jornada da alma após a morte. Para nós, esta jornada leva a alma ao longo do caminho através do submundo para os bancos do Rio Sem Fim, que é a fronteira entre este mundo e o próximo, largo e fluindo vagarosamente, ele lava as memórias e desejos terrenos, deixando o espírito limpo novamente. Mais a frente, neste Rio, cujos bancos nas margens nunca podem ser vistos ou alcançados por nós sob circunstâncias normais, está a ilha sob a qual fica o Castelo das três torres.
Empoleirado sobre um rochedo, o Castelo aparece depois de um caminho sinuoso para cima a partir de uma planície desolada, coberta com arbustos atrofiados até seus portões. Isto é o que a alma verá enquanto estiver sendo levada para lá pelo silencioso e encapuzado barqueiro.
Uma vez desembarcada, a alma começa a caminhada para o Castelo, então o milagre da Rosa ocorre. As terras desérticas começam novamente a florir, com rosas vermelho-sangue,até que o mesmo Castelo pareça estar em um mar de flores, e a alma institivamente sabe que a Deusa, a verdade em Sua palavra, a recolheu em casa novamente..."