domingo, 16 de agosto de 2009
O poder da sincronicidade
"O meu exemplo refere-se a uma jovem paciente que, apesar dos esforços feitos e ambos os lados, provou ser psicologicamente inacessível. A dificuldade residia no fato de ela saber sempre mais sobre tudo. A sua educação excelente tinha-a equipado com uma arma feita à medida para o efeito, um racionalismo cartesiano primorosamente refinado com uma ideia da realidade impecavelmente "geométrica". Depois de várias tentativas frustradas de lhe adoçar o racionalismo com uma compreensão algo mais humana, tive de me reduzir à esperança de que algo inesperado e irracional acontecesse, algo que rompesse a réplica intelectual a que se tinha remetido. Bem, um dia, estava sentado em frente dela, de costas para a janela, ouvindo o fluxo da sua retórica. Tinha tido um sonho impressionante na noite anterior, em que alguém lhe tinha dado um escaravelho de ouro – uma peça de joalharia cara. Enquanto ela estava me contando o sonho, ouvi qualquer coisa batendo suavemente na janela.
Voltei-me e vi que era um inseto voador bastante grande que batia de encontro à vidraça, na tentativa de entrar na sala escura. Isso pareceu-me estranho. Abri a janela imediatamente e apanhei o inseto no ar quando ele entrou. Era um besouro da família dos Escarabídeos, que ataca as roseiras, cuja cor verde-dourada se parece muito com um escaravelho de ouro. Entreguei o besouro à minha paciente com as palavras, "Aqui tem o seu escaravelho". A experiência abriu a brecha necessária no seu racionalismo e quebro-lhe o gelo da resistência intelectual. Agora podia continuar o tratamento com resultados satisfatórios."
(Retirado de "O Caminho menos percorrido", de M.Scott Peck)
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
velada em açafrão, de Céu, Terra e Mar,
que celebra a Bacanália na tumba,
com as almas dos mortos;
filha de Perses, amante de solidão, honrada com bolos,
noturna, protetora dos cães, soberana invencível,
anunciada pelo rugido das bestas selvagens,
rainha portadora das chaves de todo o cosmos".
(Hino Órfico à Hécate)

terça-feira, 11 de agosto de 2009
Frau Holda é a contraparte feminina do Senhor da caçada Selvagem e ela é essencial para uma apreciação equilibrada da espiritualidade pagã. (Fonte da foto: http://www.viona-art.com/pages/frameset01/setmenu.html)
“Dama Branca”, “Mãe de Terra Negra”, Deusa do inverno e da bruxaria, Aspecto de Anciã da Lua.
Entre a s tribos germânicas, dizia-se que ela cavalgava com Odim nas caçadas selvagens. Ainda no séc. X, dizia-se que as mulheres cavalgavam ao seu comando em galopes selvagens pela noite. O azevilho era sua planta sagrada. Seus seguidores normalmente confeccionavam seus bastões de magia com esta madeira.
Trabalhava sobre as artes, destino, Karma, magia negra e vingança. Ela e associada a lagos e regatos. Quando nevava, pos antigos germânicos diziam que Holda estava virando sua cama de penas.
Ela também é uma deusa maternal, do lar, do tear e principalmente do cultivo de linho. Normalmente ela trabalha em conjunto com seus animais especiais os lobos.
Os bruxos creem que Arianrhod é um dos aspectos de Cerridwen, a Deusa Branca da Vida-na-Morte e da Morte-naVida. E estar no Castelo de Arianrhod é estar em um purgatório real esperando a ressurreição. A crença na Europa primitiva era que apenas os chefes, poetas, reis e magos eram privilegiados para renascerem. As incontáveis almas menos distintas esperavam desconsoladamente no gelo do terreno do castelo.
Arianrhod, a Senhora da Roda de Prata é a Estrela Polar,
ao redor da qual giram as estrelas da Ursa Maior e Ursa Menor, como se a estrela polar fosse um pilar fixo do universo.De acordo com Nigel Jackson: "no Norte da Europa se dizia que a seita das bruxas, que viajavam de noite,voava no céu atrás da Deusa Hérodias ou Holda que guiava os antigos espíritos da Horda Furiosa nos meses de inverno perto do Samhain e do Natal.Como a deusa gaulesa Cerridwen,Frau Holda é a Terra Mãe do mundo sob a terra, a senhora da morte,da iniciação e do renascimento, ela reina sobre o reino ctônico de Hel ou Annwvyn. Na Escandinávia é conhecida sob o nome de Hela, filha de Loki, e se diz dela que ela é velha, metade clara e metade escura.Isto representa seus aspectos claro e escuro como Freya / Holda senhora da vida e da morte. "
* * *
Um pequeno feitiço:
Se sentir que esta sofrendo algum tipo de ataque psíquico, sendo bombardeado por pensamentos negativos ou em perigo físico chame por ela e por seus lobos, eles irão lhe ajudar. Neste dia, pegue um anel de prata e enterre-o na base de uma vela verde. Acenda a vela e invoque a presença de Holda. Quando a vela acabar, retire o anel e use-o sempre. E um anel mágico que traz a força e a coragem de Holda para combater seus inimigos e transpor seus obstáculos do dia-a-dia.
Uma história:
A Weisse Frau (Dama Branca) era um espectro que durante muitos anos apareceu em castelos reais alemães, sobretudo nos de Karlsruhe, Berlim, Bayreuth, Darmstadt e Neuhaus, na Boêmia. Vestida de branco, era inofensiva, limitando-se a inclinar a cabeça quando se encontrava com alguém. Corriam, no entanto, rumores entre os Hohenzollerns, a família real da Prússia, de que ela era vista antes da ocorrência de catastrofes e mortes na família.
Em Dezembro de l628, a Dama Branca apareceu no palácio real de Berlim e disse: “Vinde, julgai os rápidos e os mortos! Eu aguardo o meu julgamento.” Uma lenda identificou-a com o espírito de uma mulher do século XV, Bertha, ou Perchta von Rosenberg, de Neuhaus, que de noite visitava os quartos de bebês reais para embalar as crianças enquanto as amas dormiam.
Quando certa vez uma ama, aterrorizada, a viu, ela disse: “Eu não sou, como tu, uma estranha entre estas paredes. Eu sou da família, e esta criança descende dos filhos dos meus filhos.” Os Hohenzollerns explicavam a Dama Branca como sendo o fantasma da condessa Agnes de Orlamande, emparedada viva por ter envenenado os próprios filhos. Era por vezes descrita vestida de preto e branco, as cores da Prússia. A sua aparição foi documentada pela primeira vez em 1486 no Palácio de Bayreuth, e diz-se que foi vista pela última vez em 1879.
A morte de Frederico I, o primeiro rei da Prússia, em 1713 foi precipitada pela sua crença na Dama Branca. A sua segunda mulher, que sofria de uma loucura ligeira, costumava vestir-se de musselina branca. Certa tarde, escapou-se das suas aias e atravessou uma porta de vidro antes de entrar nos aposentos de Frederico. O rei acordou da sua sesta e ficou tão aterrorizado ao ver a aparição vestida de branco com sangue a escorrer pelo vestido que adoeceu. Morreu pouco depois, convencido de que a Weisse Frau o tinha amaldiçoado.
* * *
sábado, 1 de agosto de 2009
Candlemas
Um vento gelado soprou no rosto dela quando chegou à clareira do velho bosque. Esteve ali muitas vezes. E antes dela muitos já estiveram. Uma chuvinha fina caía, tornando tudo ainda mais frio e nebuloso.Aproximou-se do velho altar, uma pedra arredondada junto ao tronco de uma árvore centenária. Pôs sobre a pedra a lanterna que trazia iluminando o caminho pelo vale, pela charneca, até o bosque.
Cobriu a cabeça austeramente com o capuz e fez a solene e antiga reverência. Crânio e ossos. Morte e ressurreição. Uma rajada súbita veio de longe golpear seu rosto, trazendo a força da Antiga Fé.
Chamou pelos Antigos e foi ouvida.
Teve um sobressalto, um arrepio transpassou a coluna. Um sapo escuro e gordo saiu do seu esconderijo e coaxou alto. A fala dos mortos.
A noite ia chegando rapidamente.
E ela sentiu-se invadida, devagar e avassaladoramente pelo amor Dele.
Quando voltou a si, jazia caída ao pé da pedra, suando como se fosse pleno verão. A noite devia já ir alta.
Ao longe já podia ver o clarão das luzes nas janelas das casas, luzes que todo ano chamavam a vida de volta porque era Candlemas...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Encoberta pela névoa do tempo,
ela aguarda sozinha no jardim,
velada, seu nome obscurecido,
a desamparada Rosa.
Contraparte perdida do Logos, a Palavra,
Filho do Pai,
razão e justiça,
eterno Ele.
Eros esquecido,
Eros apaixonado,
Eterna Ela,
deixada, prostrada, no chão.
porém formosa -
quanto as tendas de Quedar.
Não olhe para ela, pois que é morena,
o sol crestou-lhe a tez.
Lavrou nos vinhedos do irmão,
e a própria videira não guardou" (Cântico dos Cânticos 1:5-6).
A Noiva,
ressecada do labor
sob o sol ardente,
morena, seca e sem forças.
Madona Negra,
mãe dos pobres e aflitos,
uva ressecada de Deus,
queimada sob os impiedosos raios
do Logos vencedor, juiz, guerreiro.
Imagem masculina de um Deus soberano
no trono celeste -
sozinho.
Ela o buscou com avidez,
mas soldados avançaram sobre ela,
atacaram-na, feriram-na,
os guardiões dos muros.
Sua dor se espelha agora
no ícone de Czestochowa,
um talho em sua face,
a ferida, a desamparada -
a Delericta.
Nali Me Tangere:
"Não me toques."
Por séculos o eco:
Nali Me Tangere.
Aquele que ascendeu,
adorado e glorificado -
intocável,
o belo príncipe,
Leão de Judá e Cordeiro de Deus
sentado ao lado do Pai,
governando -
sozinho.
Mas agora, finalmente, ele a busca.
Clama por ela.
Ele conhece o nome da Rosa.
Exausta e árida
na desventura,
ela o ouve gritar seu nome.
Emocionada, ergue a cabeça e olha ao redor.
"Quem está aí?"
O coração bate mais forte.
"Seria ele?
Teria voltado para me buscar?"
O jardim onde ele a deixou
é hoje um deserto -
ferido, seco e árido.
As árvores atrofiadas,
rios de águas claras
agora apenas córregos.
Um bosque de espinhos
cerca o jardim,
impedindo a entrada.
Com a espada da verdade
ele deve abrir caminho
para alcançar sua amada.
Afinal ele a encontra
ainda abraçada ao vaso de alabastro.
Suas lágrimas de alegria caem aos pés dele.
Mais uma vez, ela as seca com o próprio cabelo.
Mas agora ele pega a sua mão.
"Venha, amada minha, a hora é esta.
Vamos correr juntos pelos campos,
descobrir se o vinhedo está em flor" (Cântico dos Cânticos 7:13).
Agora, de mãos dadas,
eles caminham pelo jardim deserto.
E onde os seus pés tocam
uma violeta surge do chão,
uma anêmona se levanta.
Em seu despertar,
botões germinam nos galhos secos.
"Nunca mais te chamarão 'desamparada'
nem a tua terra se denominará 'desolada';
mas chamar-te-ão 'minha amada’,
e tuas terras, 'desposada'" (Isaías 62:4).
Ele sussurra o nome dela,
apreciando o sabor,
deliciando-se na Noiva de seus anseios.
Maria.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
O upanixade de Maya-Shakti-Devi
"“O que é isso?” Nenhum deles sabe o que poderia ser.

Assim Falou Zaratustra - Friedrich Nietzsche

terça-feira, 28 de julho de 2009
Falando em livros misteriosos

Foi descoberto em 1912 na Villa Mondragone, em Frascati, perto de Roma, aquilo que representa um dos maiores enigmas do mundo. Junto de outros livros, um manuscrito misterioso e de conteúdo indecifrável até os dias de hoje, vem desafiando pesquisadores em etmologia (estudo da formação dos idiomas) e cientistas em várias áreas.
Tudo teve início quando um comprador de antiguidades, o americano Wilfrid M. Voynich, adquiriu de um antigo colégio de jesuítas na Itália um estranho livro de caracteres indecifráveis até os tempos atuais, tendo em anexo uma carta com data de 1666 se referindo ao antigo proprietário do livro, o imperador Rodolfo II, da Boêmia (hoje região da Alemanha)
O livro estranho foi parar em Nova York depois de morte de Voynich e sua esposa. Por sua vez, o comprador, Hans P. Krauss, o doou para a biblioteca da Universidade de Yale.
O denominado “ Manuscrito de Voynich” tem 235 páginas contendo ilustrações de plantas desconhecidas, quase bizarras, e é escrito em um idioma desconhecido em toda a face da Terra. Há também espécies animais já extintas (?), imagens sobre os temas astronomia, anatomia, além de calendários e figuras de humanos. Há estranhos caracteres, ilustrações de flores e plantas nunca vistas e mulheres nuas que se divertem em banheiras conectadas a estranhos encanamentos.
Outros detalhes intrigantes do manuscrito são planilhas mostrando peças astronômicas vistas por um telescópio, ou ainda células vivas observadas por microscópio. Nas mesmas planilhas, um enigmático calendário com figuras, ou desconhecidos signos zodiacais.
As várias teorias
As teorias sobre o livro e sua escrita enigmática variam, desde fraude, ou uma brincadeira de quem pensava em intrigar a sociedade. Mas, de acordo com estudiosos, a repetição de determinados caracteres indicam uma espécie desconhecida de informação, e não uma brincadeira à base de rabiscos sem propósitos.
Outros passaram a acreditar que a escrita vinha de uma língua artificial. Mas, nem mesmo a língua “Ignota” criada por Hildegarde de Bingen se assemelhava aos caracteres do livro.
Quem tentou e quase conseguiu lançar uma luz sobre o assunto foi o botânico Hugh O’Neill, em 1944. Sua conclusão era a de que algumas daquelas plantas representavam espécies do Novo-Mundo, o que provocaria hipótese sobre a confecção do livro após o ano de 1492, data em que Cristóvão Colombo pisou na América trazendo sementes de girassol e pimenta.Mas, nos desenhos, a pimenta é colorida em verde (ao invés de vermelha) e a identificação de um girassol nas ilustrações gerou dúvidas.
William Romaine Newbold causou outro alvoroço em 1919, ao anunciar que o livro era obra do filósofo inglês Roger Bacon e que o mesmo conhecia a utilização de telescópios e microscópios.Sendo assim, de acordo com Newbold, Bacon conhecia a formação em espiral da vizinha galáxia de Andrômeda, bem como os micróbios, organismos invisíveis a olho nu, e ainda a formação do embrião partindo da união do espermatozoide e do óvulo..
O mistério continua
Parece ser uma espécie de manual ou almanaque voltado para botânica, astronomia e biologia, ou mesmo uma apostila com noções básicas de ciências naturais.
Durante a Segunda Guerra Mundial, peritos militares suspeitaram que o manuscrito pudesse representar informações sigilosas e de espionagem e tentaram destrinchar a inscrição toda mas não conseguiram encontrar uma fórmula para a decodificação do documento.
É de conhecimento público várias falsificações através da história, mas esse tipo de ato sempre buscou um ganho, uma vantagem. Mas , no caso do “Manuscrito de Voynich”, quem se interessaria em produzir trabalhosamente um enigma em mais de 230 páginas sem qualquer intento?
Uma enorme comunidade de cientista, composta de historiadores, bibliófilos, criptógrafos e linguistas, debruça sobre o pequeno livro de 18 por 23 centímetros de comprimento. No entanto, o mistério persiste.
Quem conseguir decifrar mais esse enigma da Terra, poderá entrar para a história.
Fonte: [ Agora Vale ]
O Livro de Diana
Os livros proibidos e queimados pela Inquisição no BrasilUm dos livros citados nas denúncias da Bahia é o LIVRO DE DIANA, que apresenta títulos diversos como Diana de Monte Maior, Diana, e Os cinco livros de Diana.

Em 17 de agosto de 1591, o padre Baltazar de Miranda denuncia na Bahia dona Paula de Siqueira, esposa do contador Antônio de Faria, no Rio de Janeiro, “por ler e folgar com a Diana de Monte Maior e que fazia o músico, per nome Manuel, cantar as cantigas da dita Diana” (Cascudo, p.14).
Outra denúncia se registra no dia 25 de agosto de 1591, é de Gaspar Manoel, licenciado em artes, que acusa a Matias de Aguiar de ter um livro de Diana. O acusado procurou o Visitador, confessou o pecado e lhe entregou o volume que foi queimado.
No dia 28 de agosto de 1591, Bartolomeu Fragoso confessou ter lido uma Diana de Monte Maior. “Por cúmulo da precaução ía lendo e rasgando as folhas” (Cascudo, 1953, p. 14). Já Domingos Gomes Pimentel confessou, no dia 18 de janeiro de 1592, ter possuído e lido, seis anos antes, a mesma Diana.
O cristão-novo Nuno Fernandes, natural da Bahia, confessou ter lido muitas vezes o “livro chamado Diana”, quatro ou cinco anos atrás. Dentre os livros que possuía estava o “Metamorforges (sic) de Ovídio” (1953, p. 14).

Também nas denunciações de Pernambuco aparece o tal livro de Diana. No dia 22 de janeiro de 1594, o cristão-novo Gaspar Rodrigues, residente na freguesia de Sant’Amaro, denuncia Bento Teixeira, “o poeta da PROSOPOPÉIA, mestre de ensinar moços, de ler Diana” (1953, p. 14).
Que misterioso livro proibido é esse? Cascudo não explica, apenas se limita a apontar a obra de Jorge de Montemor que chama de “cinco livros de DIANA”. Serão todos o mesmo?*
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Uma pessoa especial me disse: "eu não temo as bruxas, tenho muito respeito por elas. São seres que merecem muito respeito."Fui atingida por essa aparentemente tão simples afirmação.

O importante é que o ponto de vista dessa amiga especial abriu um horizonte mais ameno, e eu passarei a julgar com menos severidade a mim mesma e aos que me cercam. A exigir menos de mim e das outras pessoas, pois quem pode saber o motivo de cada um?