domingo, 16 de agosto de 2009

O poder da sincronicidade

Sincronicidade quer dizer coincidência significativa, ou seja, dois ou mais eventos que ocorrem ao mesmo tempo e não guardam entre si uma relação de causa, mas de significado. Esse termo foi cunhado pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, e o caso de sincronicidade que mais intrigou o foi o do escaravelho de ouro:
"O meu exemplo refere-se a uma jovem paciente que, apesar dos esforços feitos e ambos os lados, provou ser psicologicamente inacessível. A dificuldade residia no fato de ela saber sempre mais sobre tudo. A sua educação excelente tinha-a equipado com uma arma feita à medida para o efeito, um racionalismo cartesiano primorosamente refinado com uma ideia da realidade impecavelmente "geométrica". Depois de várias tentativas frustradas de lhe adoçar o racionalismo com uma compreensão algo mais humana, tive de me reduzir à esperança de que algo inesperado e irracional acontecesse, algo que rompesse a réplica intelectual a que se tinha remetido. Bem, um dia, estava sentado em frente dela, de costas para a janela, ouvindo o fluxo da sua retórica. Tinha tido um sonho impressionante na noite anterior, em que alguém lhe tinha dado um escaravelho de ouro – uma peça de joalharia cara. Enquanto ela estava me contando o sonho, ouvi qualquer coisa batendo suavemente na janela.
Voltei-me e vi que era um inseto voador bastante grande que batia de encontro à vidraça, na tentativa de entrar na sala escura. Isso pareceu-me estranho. Abri a janela imediatamente e apanhei o inseto no ar quando ele entrou. Era um besouro da família dos Escarabídeos, que ataca as roseiras, cuja cor verde-dourada se parece muito com um escaravelho de ouro. Entreguei o besouro à minha paciente com as palavras, "Aqui tem o seu escaravelho". A experiência abriu a brecha necessária no seu racionalismo e quebro-lhe o gelo da resistência intelectual. Agora podia continuar o tratamento com resultados satisfatórios."
(Retirado de "O Caminho menos percorrido", de M.Scott Peck)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009



"Eu lhe exalto, adorável triforme Hécate Enodia,
velada em açafrão, de Céu, Terra e Mar,
que celebra a Bacanália na
tumba,
com as almas dos mortos;
filha de Perses, amante de solidão, honrada com bolos,
noturna, protetora dos cães, soberana invencível,
anunciada pelo rugido da
s bestas selvagens,
rainha portadora das chaves de todo o cosmos".
(Hino Órfico à Hécate)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Frau Holda é a contraparte feminina do Senhor da caçada Selvagem e ela é essencial para uma apreciação equilibrada da espiritualidade pagã. (Fonte da foto: http://www.viona-art.com/pages/frameset01/setmenu.html)

Na mitologia germânica ou nórdica, no dia 10 de agosto se comemora o dia de Holda, a senhora das bruxas. Tinha algumas semelhanças com a Deusa Ártemis da mitologia grega. Também conhecida como, Holde, Holle, Hulda(benigna), Bertha, Bertcha(Dama Branca). Nome germânico para Hel.




“Dama Branca”, “Mãe de Terra Negra”, Deusa do inverno e da bruxaria, Aspecto de Anciã da Lua.

Entre a s tribos germânicas, dizia-se que ela cavalgava com Odim nas caçadas selvagens. Ainda no séc. X, dizia-se que as mulheres cavalgavam ao seu comando em galopes selvagens pela noite. O azevilho era sua planta sagrada. Seus seguidores normalmente confeccionavam seus bastões de magia com esta madeira.

Trabalhava sobre as artes, destino, Karma, magia negra e vingança. Ela e associada a lagos e regatos. Quando nevava, pos antigos germânicos diziam que Holda estava virando sua cama de penas.

Ela também é uma deusa maternal, do lar, do tear e principalmente do cultivo de linho. Normalmente ela trabalha em conjunto com seus animais especiais os lobos.

Os bruxos creem que Arianrhod é um dos aspectos de Cerridwen, a Deusa Branca da Vida-na-Morte e da Morte-naVida. E estar no Castelo de Arianrhod é estar em um purgatório real esperando a ressurreição. A crença na Europa primitiva era que apenas os chefes, poetas, reis e magos eram privilegiados para renascerem. As incontáveis almas menos distintas esperavam desconsoladamente no gelo do terreno do castelo.


Arianrhod, a Senhora da Roda de Prata é a Estrela Polar, ao redor da qual giram as estrelas da Ursa Maior e Ursa Menor, como se a estrela polar fosse um pilar fixo do universo.


De acordo com Nigel Jackson: "no Norte da Europa se dizia que a seita das bruxas, que viajavam de noite,voava no céu atrás da Deusa Hérodias ou Holda que guiava os antigos espíritos da Horda Furiosa nos meses de inverno perto do Samhain e do Natal.Como a deusa gaulesa Cerridwen,Frau Holda é a Terra Mãe do mundo sob a terra, a senhora da morte,da iniciação e do renascimento, ela reina sobre o reino ctônico de Hel ou Annwvyn. Na Escandinávia é conhecida sob o nome de Hela, filha de Loki, e se diz dela que ela é velha, metade clara e metade escura.Isto representa seus aspectos claro e escuro como Freya / Holda senhora da vida e da morte. "

* * *


Um pequeno feitiço:

Se sentir que esta sofrendo algum tipo de ataque psíquico, sendo bombardeado por pensamentos negativos ou em perigo físico chame por ela e por seus lobos, eles irão lhe ajudar. Neste dia, pegue um anel de prata e enterre-o na base de uma vela verde. Acenda a vela e invoque a presença de Holda. Quando a vela acabar, retire o anel e use-o sempre. E um anel mágico que traz a força e a coragem de Holda para combater seus inimigos e transpor seus obstáculos do dia-a-dia.


Uma história:

A Weisse Frau (Dama Branca) era um espectro que durante muitos anos apareceu em castelos reais alemães, sobretudo nos de Karlsruhe, Berlim, Bayreuth, Darmstadt e Neuhaus, na Boêmia. Vestida de branco, era inofensiva, limitando-se a inclinar a cabeça quando se encontrava com alguém. Corriam, no entanto, rumores entre os Hohenzollerns, a família real da Prússia, de que ela era vista antes da ocorrência de catastrofes e mortes na família.
Em Dezembro de l628, a Dama Branca apareceu no palácio real de Berlim e disse: “Vinde, julgai os rápidos e os mortos! Eu aguardo o meu julgamento.” Uma lenda identificou-a com o espírito de uma mulher do século XV, Bertha, ou Perchta von Rosenberg, de Neuhaus, que de noite visitava os quartos de bebês reais para embalar as crianças enquanto as amas dormiam.
Quando certa vez uma ama, aterrorizada, a viu, ela disse: “Eu não sou, como tu, uma estranha entre estas paredes. Eu sou da família, e esta criança descende dos filhos dos meus filhos.” Os Hohenzollerns explicavam a Dama Branca como sendo o fantasma da condessa Agnes de Orlamande, emparedada viva por ter envenenado os próprios filhos. Era por vezes descrita vestida de preto e branco, as cores da Prússia. A sua aparição foi documentada pela primeira vez em 1486 no Palácio de Bayreuth, e diz-se que foi vista pela última vez em 1879.
A morte de Frederico I, o primeiro rei da Prússia, em 1713 foi precipitada pela sua crença na Dama Branca. A sua segunda mulher, que sofria de uma loucura ligeira, costumava vestir-se de musselina branca. Certa tarde, escapou-se das suas aias e atravessou uma porta de vidro antes de entrar nos aposentos de Frederico. O rei acordou da sua sesta e ficou tão aterrorizado ao ver a aparição vestida de branco com sangue a escorrer pelo vestido que adoeceu. Morreu pouco depois, convencido de que a Weisse Frau o tinha amaldiçoado.

* * *

sábado, 1 de agosto de 2009

Candlemas

Um vento gelado soprou no rosto dela quando chegou à clareira do velho bosque. Esteve ali muitas vezes. E antes dela muitos já estiveram. Uma chuvinha fina caía, tornando tudo ainda mais frio e nebuloso.
Aproximou-se do velho altar, uma pedra arredondada junto ao tronco de uma árvore centenária. Pôs sobre a pedra a lanterna que trazia iluminando o caminho pelo vale, pela charneca, até o bosque.
Cobriu a cabeça austeramente com o capuz e fez a solene e antiga reverência. Crânio e ossos. Morte e ressurreição. Uma rajada súbita veio de longe golpear seu rosto, trazendo a força da Antiga Fé.
Chamou pelos Antigos e foi ouvida.

Meditou por um tempo indeterminado ao pé da pedra, sem sentir o frio. No ventre desta velha terra, tudo que parece morto, espera a hora de renascer. Escava com mãos aduncas, forçando a terra em busca da luz. Os mortos não querem voltar para o túmulo...
Teve um sobressalto, um arrepio transpassou a coluna. Um sapo escuro e gordo saiu do seu esconderijo e coaxou alto. A fala dos mortos.
A noite ia chegando rapidamente.

Ergueu a taça em honra da Grande Transformação. Bebeu o doce e rubro líquido. Sentiu aquecerem-se todas as partes do corpo.

Isso é bom, pensou, desejando que esse calor aquecesse as criaturas da noite e alimentasse a sede dos Velhos.

Despejou o restante da bebida sobre a pedra. E aquele líquido foi levado para a terra, de lá para as entranhas do sangue, do sangue para o longe, para o além... que também era dentro dela, de seus olhos, das miríades de olhos, das constelações, até os brilhantes olhos do Lorde da Luz!
E ela sentiu-se invadida, devagar e avassaladoramente pelo amor Dele.

Uma força explosiva que saltou como duas asas em suas costas e como um feixe de luz do topo de sua cabeça. Amor... como o amo, amo... E depois nada mais viu.
Quando voltou a si, jazia caída ao pé da pedra, suando como se fosse pleno verão. A noite devia já ir alta.


Refez a saudação antiga, apanhou a lanterna e seguiu pelo caminho até fora do bosque.
Ao longe já podia ver o clarão das luzes nas janelas das casas, luzes que todo ano chamavam a vida de volta porque era Candlemas...
Por Luz le Fay





quinta-feira, 30 de julho de 2009


O Sagrado Reencontro

Encoberta pela névoa do tempo,
ela aguarda sozinha no jardim,
velada, seu nome obscurecido,
a desamparada Rosa.
Contraparte perdida do Logos, a Palavra,
Filho do Pai,
razão e justiça,
eterno Ele.
Eros esquecido,
Eros apaixonado,
Eterna Ela,
deixada, prostrada, no chão.
"A Noiva é tão negra ­
porém formosa ­-
quanto as tendas de Quedar.
Não olhe para ela, pois que é morena,
o sol crestou-lhe a tez.
Lavrou nos vinhedos do irmão,
e a própria videira não guardou" (Cântico dos Cânticos 1:5-6).

A Noiva,
ressecada do labor
sob o sol ardente,
morena, seca e sem forças.
Madona Negra,
mãe dos pobres e aflitos,
uva ressecada de Deus,
queimada sob os impiedosos raios
do Logos vencedor, juiz, guerreiro.
Imagem masculina de um Deus soberano
no trono celeste ­-
sozinho.

Ela o buscou com avidez,
mas soldados avançaram sobre ela,
atacaram-na, feriram-na,
os guardiões dos muros.
Sua dor se espelha agora
no ícone de Czestochowa,
um talho em sua face,
a ferida, a desamparada ­-
a Delericta.

Nali Me Tangere:
"Não me toques."
Por séculos o eco:
Nali Me Tangere.
Aquele que ascendeu,
adorado e glorificado -
­intocável,
o belo príncipe,
Leão de Judá e Cordeiro de Deus
sentado ao lado do Pai,
governando ­-
sozinho.

Mas agora, finalmente, ele a busca.
Clama por ela.
Ele conhece o nome da Rosa.
Exausta e árida
na desventura,
ela o ouve gritar seu nome.
Emocionada, ergue a cabeça e olha ao redor.
"Quem está aí?"

O coração bate mais forte.
"Seria ele?
Teria voltado para me buscar?"

O jardim onde ele a deixou
é hoje um deserto ­-
ferido, seco e árido.
As árvores atrofiadas,
rios de águas claras
agora apenas córregos.
Um bosque de espinhos
cerca o jardim,
impedindo a entrada.
Com a espada da verdade
ele deve abrir caminho
para alcançar sua amada.
Afinal ele a encontra
ainda abraçada ao vaso de alabastro.
Suas lágrimas de alegria caem aos pés dele.
Mais uma vez, ela as seca com o próprio cabelo.
Mas agora ele pega a sua mão.
"Venha, amada minha, a hora é esta.
Vamos correr juntos pelos campos,
descobrir se o vinhedo está em flor" (Cântico dos Cânticos 7:13).
Agora, de mãos dadas,
eles caminham pelo jardim deserto.
E onde os seus pés tocam
uma violeta surge do chão,
uma anêmona se levanta.
Em seu despertar,
botões germinam nos galhos secos.
"Nunca mais te chamarão 'desamparada'
nem a tua terra se denominará 'desolada';
mas chamar-te-ão 'minha amada’,
e tuas terras, 'desposada'" (Isaías 62:4).

Ele sussurra o nome dela,
apreciando o sabor,
deliciando-se na Noiva de seus anseios.

Maria.
Fonte: M. Starbird. A mulher com o jarro de alabastro. USA: Bear & Co. 1993.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O upanixade de Maya-Shakti-Devi

O grande estudioso de mitologia Joseph Campbell cita um Upanixade de cerca do século VII a.C., época exata em que a Deusa começava a surgir na região do Egeu. Este texto sagrado narra o encontro surpreendente dos deuses védicos com uma coisa estranha e amorfa no caminho, uma espécie de neblina fumarenta, como passa a narrar o próprio Campbell (O poder do mito, p. 191):

"“O que é isso?” Nenhum deles sabe o que poderia ser.
Então um deles sugere: vou descobrir o que é”.
Esse, então, se dirige àquela coisa esfumaçada e diz:
“Eu sou Agni, o Senhor do Fogo; posso queimar qualquer coisa. Quem é você?”
E do meio da espessa neblina sai voando um pedaço de palha, que cai no chão, e uma voz diz: “Vamos ver você queimar isso”.
Agni descobre que não é capaz de fazê-lo. Ele então retorna até onde estão os outros deuses e diz: “Isso sem dúvida é muito estranho!”
“Bem, então”, diz o Senhor do Vento, “deixe-me tentar”.
Ele vai e a cena se repete. “Eu sou Vayu, Senhor do Vento, posso arrastar qualquer coisa”. Outra vez uma palha é jogada ao chão. “Vamos ver se você pode arrastar isso”. Ele não consegue, e retorna.
Então Indra, o maior dos deuses védicos, se aproxima, mas, ao chegar perto, a aparição se desfaz e em seu lugar surge uma mulher, uma bela e misteriosa mulher, que se dirige aos deuses, revelando-lhes o mistério que fundamenta a eles próprios.
“Este é o supremo mistério de todo o ser”, ela lhes diz, “do qual vocês próprios receberam os seus poderes.
E Ele pode pôr em ação os seus poderes ou neutralizá-los, conforme deseje”. O nome hindu para esse Ser de todos os seres é Brahman, que é uma palavra neutra, nem masculina, nem feminina. E o nome hindu para essa mulher é Maya-Shakti-Devi, ‘Deusa Doadora de Vida e Mãe de Todas as Formas’.
E nesse Upanixade ela aparece como aquela que ensina aos deuses védicos sobre o fundamento e a fonte suprema do seu próprio ser e dos seus próprios poderes."



Assim Falou Zaratustra - Friedrich Nietzsche


Preâmbulo de Zaratustra
Aos trinta anos Zaratustra afastou−se da sua pátria e do lago da sua pátria, edirigiu−se à montanha. Durante dez anos gozou por lá do seu espírito e da sua solidão sem se cansar. Variaram, no entanto, os seus sentimentos, e uma manhã, erguendo−se com a aurora, pôs−se em frente do sol e falou−lhe da seguinte maneira:

"Grande astro! Que seria da tua felicidade se te faltassem aqueles a quem iluminas?
Faz dez anos que te apresentas à minha caverna, e, sem mim, sem a minha águia e a minha serpente, haver−te−ias cansado da tua luz e deste caminho.
Nós, porém, te aguardávamos todas asmanhãs, tomávamos−te o supérfluo e bendizíamos−te.
Pois bem: já estou tão enfastiado da minha sabedoria, como a abelha quando acumula demasiado mel. Necessito mãos que se estendam para mim. Quisera dar e repartir até que os sábios tornassem a gozar da sua loucura e os pobres, da sua riqueza.
Por essa razão devo descer às profundidades, como tu pela noite, astro exuberante de riqueza quando transpôes o mar para levar a tua luz ao mundo inferior.
Eu devo descer, como tu, segundo dizem os homens a quem me quero dirigir.
Abençoa−me, pois, olho afável, que podes ver sem inveja até uma felicidade demasiado grande!
Abençoa a taça que quer transbordar, para que dela jorrem as douradas águas, levando a todos os lábios o reflexo da tua alegria! Olha! Esta taça quer novamente esvaziar−se, e Zaratustra quer tornar a ser homem".

Assim principiou o ocaso de Zaratustra...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Falando em livros misteriosos

Manuscrito de Voynich: O livro mais misterioso do mundo



Foi descoberto em 1912 na Villa Mondragone, em Frascati, perto de Roma, aquilo que representa um dos maiores enigmas do mundo. Junto de outros livros, um manuscrito misterioso e de conteúdo indecifrável até os dias de hoje, vem desafiando pesquisadores em etmologia (estudo da formação dos idiomas) e cientistas em várias áreas.

Tudo teve início quando um comprador de antiguidades, o americano Wilfrid M. Voynich, adquiriu de um antigo colégio de jesuítas na Itália um estranho livro de caracteres indecifráveis até os tempos atuais, tendo em anexo uma carta com data de 1666 se referindo ao antigo proprietário do livro, o imperador Rodolfo II, da Boêmia (hoje região da Alemanha)
O livro estranho foi parar em Nova York depois de morte de Voynich e sua esposa. Por sua vez, o comprador, Hans P. Krauss, o doou para a biblioteca da Universidade de Yale.
O denominado “ Manuscrito de Voynich” tem 235 páginas contendo ilustrações de plantas desconhecidas, quase bizarras, e é escrito em um idioma desconhecido em toda a face da Terra. Há também espécies animais já extintas (?), imagens sobre os temas astronomia, anatomia, além de calendários e figuras de humanos. Há estranhos caracteres, ilustrações de flores e plantas nunca vistas e mulheres nuas que se divertem em banheiras conectadas a estranhos encanamentos.


Outros detalhes intrigantes do manuscrito são planilhas mostrando peças astronômicas vistas por um telescópio, ou ainda células vivas observadas por microscópio. Nas mesmas planilhas, um enigmático calendário com figuras, ou desconhecidos signos zodiacais.


As várias teorias


As teorias sobre o livro e sua escrita enigmática variam, desde fraude, ou uma brincadeira de quem pensava em intrigar a sociedade. Mas, de acordo com estudiosos, a repetição de determinados caracteres indicam uma espécie desconhecida de informação, e não uma brincadeira à base de rabiscos sem propósitos.
Outros passaram a acreditar que a escrita vinha de uma língua artificial. Mas, nem mesmo a língua “Ignota” criada por Hildegarde de Bingen se assemelhava aos caracteres do livro.


Quem tentou e quase conseguiu lançar uma luz sobre o assunto foi o botânico Hugh O’Neill, em 1944. Sua conclusão era a de que algumas daquelas plantas representavam espécies do Novo-Mundo, o que provocaria hipótese sobre a confecção do livro após o ano de 1492, data em que Cristóvão Colombo pisou na América trazendo sementes de girassol e pimenta.Mas, nos desenhos, a pimenta é colorida em verde (ao invés de vermelha) e a identificação de um girassol nas ilustrações gerou dúvidas.
William Romaine Newbold causou outro alvoroço em 1919, ao anunciar que o livro era obra do filósofo inglês Roger Bacon e que o mesmo conhecia a utilização de telescópios e microscópios.Sendo assim, de acordo com Newbold, Bacon conhecia a formação em espiral da vizinha galáxia de Andrômeda, bem como os micróbios, organismos invisíveis a olho nu, e ainda a formação do embrião partindo da união do espermatozoide e do óvulo..


O mistério continua


Parece ser uma espécie de manual ou almanaque voltado para botânica, astronomia e biologia, ou mesmo uma apostila com noções básicas de ciências naturais.
Durante a Segunda Guerra Mundial, peritos militares suspeitaram que o manuscrito pudesse representar informações sigilosas e de espionagem e tentaram destrinchar a inscrição toda mas não conseguiram encontrar uma fórmula para a decodificação do documento.
É de conhecimento público várias falsificações através da história, mas esse tipo de ato sempre buscou um ganho, uma vantagem. Mas , no caso do “Manuscrito de Voynich”, quem se interessaria em produzir trabalhosamente um enigma em mais de 230 páginas sem qualquer intento?
Uma enorme comunidade de cientista, composta de historiadores, bibliófilos, criptógrafos e linguistas, debruça sobre o pequeno livro de 18 por 23 centímetros de comprimento. No entanto, o mistério persiste.
Quem conseguir decifrar mais esse enigma da Terra, poderá entrar para a história.


Fonte: [ Agora Vale ]

O Livro de Diana

Os livros proibidos e queimados pela Inquisição no Brasil

Como vocês sabem, o Brasil não passou incógnito às loucuras da Inquisição. Foram três as visitações do Tribunal do Santo Ofício em nossa terra, uma no ano de 1591, outra no ano de 1618 e a última durou de 1763 a 1768.
Um dos livros citados nas denúncias da Bahia é o LIVRO DE DIANA, que apresenta títulos diversos como Diana de Monte Maior, Diana, e Os cinco livros de Diana.


Em 17 de agosto de 1591, o padre Baltazar de Miranda denuncia na Bahia dona Paula de Siqueira, esposa do contador Antônio de Faria, no Rio de Janeiro, “por ler e folgar com a Diana de Monte Maior e que fazia o músico, per nome Manuel, cantar as cantigas da dita Diana” (Cascudo, p.14).

Outra denúncia se registra no dia 25 de agosto de 1591, é de Gaspar Manoel, licenciado em artes, que acusa a Matias de Aguiar de ter um livro de Diana. O acusado procurou o Visitador, confessou o pecado e lhe entregou o volume que foi queimado.

No dia 28 de agosto de 1591, Bartolomeu Fragoso confessou ter lido uma Diana de Monte Maior. “Por cúmulo da precaução ía lendo e rasgando as folhas” (Cascudo, 1953, p. 14). Já Domingos Gomes Pimentel confessou, no dia 18 de janeiro de 1592, ter possuído e lido, seis anos antes, a mesma Diana.

O cristão-novo Nuno Fernandes, natural da Bahia, confessou ter lido muitas vezes o “livro chamado Diana”, quatro ou cinco anos atrás. Dentre os livros que possuía estava o “Metamorforges (sic) de Ovídio” (1953, p. 14).

Também nas denunciações de Pernambuco aparece o tal livro de Diana. No dia 22 de janeiro de 1594, o cristão-novo Gaspar Rodrigues, residente na freguesia de Sant’Amaro, denuncia Bento Teixeira, “o poeta da PROSOPOPÉIA, mestre de ensinar moços, de ler Diana” (1953, p. 14).

Que misterioso livro proibido é esse? Cascudo não explica, apenas se limita a apontar a obra de Jorge de Montemor que chama de “cinco livros de DIANA”. Serão todos o mesmo?*
* Parte da minha tese de doutorado: Cinco livros do povo: conhecimento tradicional ou conhecimento oculto em cinco narrativas de cordel.

segunda-feira, 27 de julho de 2009


Uma pessoa especial me disse: "eu não temo as bruxas, tenho muito respeito por elas. São seres que merecem muito respeito."

Fui atingida por essa aparentemente tão simples afirmação.


"São seres que merecem muito respeito", disse ela.

Depois do inesperado impacto que me causou aquele julgamento tão livre de estereótipos, perguntei a essa amiga por que ela afirmava isso. Ela prontamente explicou: "é que vocês são seres que tem uma carga de vidas passadas de muita incompreensão e sofrimento por serem o que são, admiro os que permanecem fazendo o bem".


Puxa, aquilo foi como a voz do oráculo, uma resposta clara a uma reflexão que me perseguia há muito tempo.
Andei enculcada, remoendo o motivo que levaria a tantos fatos, na minha concepção, inapropriados a nós seres que se supõem de consciência mais elevada que a maioria da humanidade. O que vemos é uma constante queda nas armadilhas do Ego, uma guerra psicológica, física e até astral entre alguns de nós, sem falar a facilidade e rapidez com que nos julgamos e julgamos os outros (especialmente os do nosso meio).
Não só julgamos a nós e aos outros com rapidez, mas sobretudo com severidade. Eu nunca havia pensado que o motivo poderia estar no passado, além é claro de vários outros motivos específicos.


O importante é que o ponto de vista dessa amiga especial abriu um horizonte mais ameno, e eu passarei a julgar com menos severidade a mim mesma e aos que me cercam. A exigir menos de mim e das outras pessoas, pois quem pode saber o motivo de cada um?
Quem pode julgar a sabedoria dos outros, tanto quanto a de si mesmo? Para isso teríamos que ter acesso à Verdadeira Sabedoria, para que nos servisse de parâmetro. Isso, infeliz ou felizmente só é possível a pouquíssimos seres desse planeta. O fato é que, mesmo em graus diferentes, estamos todos aqui em busca dessa sabedoria, tentando neste caminho cheio de penumbras iluminar a nossa centelha, nossa luz interior.
Esse post foi especial pra ti Lu, tu sabe né? heheheh