terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Contos Inacabados

Um Conto de Natal

Era uma noite chuvosa de Natal, o frio cortante fazia com que ela se encolhesse junto a um poste.

Esperava o ônibus.

Apesar das luzes coloridas e do ar alegre que envolvia a época, e que todos chamavam de “espírito natalino”, Lilian sentia-se sempre muito distante disto tudo. Embaixo do casaco de couro preto seu corpo frágil e cansado não via a hora de envolver-se em quentes lençois numa cama bem aconchegante. O escuro da rua e a chuva muito forte não a impediram de divisar, a alguns metros, a placa iluminada do seu ônibus 124 via Centro.

Saiu da precária proteção do poste e esticou o braço para que ele parasse. Nesse instante uma moto se impôs entre a calçada e o veículo a toda velocidade, fazendo com que o ônibus desviasse para a esquerda, não podendo parar. Como se ainda fosse pouco perder o último ônibus da noite, a motocicleta ainda arremessou uma torrente de água gelada sobre Lilian. Irada e encharcada, ficou ali parada sem saber o que fazer e tremendo ainda mais que antes.

Com dificuldade olhou o relógio, 1:30hs, como ía vou para casa agora? Andando... respondeu a si mesma com tristeza.

Lilian já caminhava há alguns minutos quando um sujeito mal encarado a abordou.

- Não grite, basta me passar o dinheiro e não vou te fazer nenhum mal - disse ele apontando algo que ela julgou ser uma arma. Tremendo começou a lutar contra o zíper da bolsa.

- Anda, tá demorando muito! - O sujeito expôs o revolver e o encostou ao rosto dela, - se demorar mais um minuto vai morrer, gatinha.

- Eu acho que não, alguém falou na escuridão da rua. Um homem se aproximava, andando devagar. Seu sobretudo tremulava, era um vulto completamente negro pois estava contra a luz do poste mais distante.

- Largue a moça! - Ordenou com uma voz de trovão.

- Que é que há meu irmão, fica na tua, ninguém te chamou aqui. Quem é você, o Bátmam? O vulto se aproximou ainda mais e o ladrão avançou para ele, apontando a arma.

Num piscar de olhos ouviu-se um tiro ecoar na noite.

Lilian viu a arma na mão do homem de negro, sentiu suas pernas bambearem como se fossem de borracha e depois o baque no asfalto molhado.

***

Algo se moveu na escuridão, fazendo barulho, e Lilian acordou.

Tentou ver o lugar onde estava, mas os olhos turvos e a mente confusa não ajudavam.

Aos poucos a penumbra...

Viu que o local era estranho, definitivamente não é meu apartamento, pensou e precipitou-se a levantar, quando percebeu que havia mais alguém com ela.

- Olá, disse uma voz forte de homem. Lilian balbuciou alguma coisa e ele se apressou em dizer,

- Não se preocupe você agora está salva.

- Quem é você? - gaguejou ela, por fim.

Ele desencostou da poltrona e surgiu na luz do abajur da sala. Os cabelos longos e levemente grisalhos, refletiam a luz como prata, os olhos de um mel claro, tinha uma luz estranha, não humana. Tinha uma barba igualmente grisalha e lisa, um homem de uns 70 anos, pensou ela.

Seu charme era quase palpável, estava metido em um terno negro, assim como a camisa de dentro, o que realçava muitíssimo um cordão de prata que trazia no pescoço. Ela deixou cair o queixo quando viu o pingente, também de prata, parecia um símbolo antigo, talvéz germânico.

- Meu nome é Nicolai Claus, mas alguns me chamam de Mr. Winter.

Nicolai Claus, ecoou ela, que homem mais... estranho...

- Lilian...- e de repente lembrou-sede tudo, do ônibus, do assalto.

- Oh, meu deus! Muito, muito obrigada por ter me ajudado, me desculpe é que ainda estou atordoada e...

- Não se preocupe- interrompeu ele, sorrindo. Lilian tentava a todo custo arrumar seus pensamentos, mas só conseguia ver o rosto desse homem, sua presença a perturbava demais.

- Bem... Não sei o que dizer - falou, por fim. Mas Nicolai levantou-se e saiu, sem nada responder, o que lhe pareceu bastante excêntrico. Lilian notou, impressionada, como ele era alto. Talvez tivesse um metro e noventa, parecia forte, poderoso, apesar da idade.

A sala ficou em total silêncio.

Lilian perscrutou a escuridão quebrada apenas pelo pequeno abajur ao lado da poltrona onde Nicolai estivera sentado. Levantou-se e andou com cautela, tentando enxergar o local. Era uma biblioteca luxuosa, as estantes de madeira escura iam até o teto, havia uma mesa comprida e pesada a um canto do aposento e, no centro, dois sofás de couro e a poltrona, iluminada pelo abajur de pé. Uma pequena pilha de livros descansava sobre a mesinha redonda de centro. Olhava distraída os vários quadros nas paredes, agora que a vista se acostumara ao escuro. Um jardim muito extenso, um senhor distinto e sério pousando ao lado de uma criança robusta, nenhuma natureza morta, pensou ela aleatoriamente.

Foi quando viu um quadro que a chocou.

Seu rosto estava ali pintado com esmero e perfeição. Não pôde acreditar. Correu à bolsa e trouxe de lá um isqueiro. Era ela de fato, um pouco mais velha, talvez... Mas, o que significa isto? À sua frente abria-se o comprido corredor por onde Nicolai saíra. Sentiu-se confusa, milhões de pensamentos estranhos percorreram sua mente.

Então sentiu uma presença.O ar se modificou.

Ele estava ali, junto a seu corpo.

O isqueiro apagou, ela tentou em vão reacendê-lo. Não funcionou.

E veio sua voz, rompendo o silêncio tenso. Ele falou com uma voz de outro mundo em seu ouvido, roçando o queixo em seu pescoço.

- Nas noites de Natal, no solstício de verão, todos sabem, o Caçador Selvagem, correndo atrás do Sol, carrega consigo a alma daqueles que encontra pelo caminho. Não devia perambular por aí, mas parece que você se esqueceu.

Era mais um sussurro do que uma voz.

E de repente Lilian se viu jogada novamente no asfalto molhado, como se tivesse acabado de desmaiar após o assalto.

Havia sangue.

Sangue escorrendo de sua cabeça por um buraco de bala.

Estava morta?

Não sabia, não conseguia entender porque continuava vendo tudo, vendo o asfalto molhado onde as luzes coloridas se refletiam em fachos quase psicodélicos, ouviundo os sapatos do bandido chocando-se contra o chão e as pedrinhas do asfalto e o chiado das pedrinhas com a água, e a sombra do homem de negro se distanciando... Não compreendia, mas queria fugir dali, o mais rápido possível.

Tentou levantar-se, não conseguiu, mas olhou para o céu escuro, como a procurar ajuda.

As poucas estrelas iam sumindo por trás de uma núvem escura e espessa que começava a se formar. Um vento gélido e furioso começou a soprar e ela ficou petrificada ao distinguir em meio a núvem negra um cavalo branco com cascos de fogo. Montado nele uma figura horripilante, de rosto sinistro.

O que parecia ser um homem de cabelos e barbas cinzentas usava um capuz negro combrindo parcialmente seu rosto fantasmagórico, trazia numa das mãos uma lança pontiaguda e nela corpos de pessoas penduradas. Uma matilha de cães e outros seres demoníacos corriam atrás do homem e seu cavalo sinistro em meio a uma esteira de ossos humanos e animais.

O ser nefasto dirigiu seus olhos fantasmagóricos para Lilian e como um ráio transpassou seu corpo frágiu com a lança de madeira pontuda.

Ela ainda pode enxergar por um instante os primeiros raios do Sol nascente no Leste e reconhecer a face distorcida de Nicolai Claus.

*Baseado no mito de Wotan, ou Odin, o caçador selvagem.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Limpeza já!


Final de Ano!
Limpeza já!
Essa época do ano é ótima para fazermos aquela limpeza! Jogue fora tudo, mas tudo mesmo, que não serve mais. Junte tudo em sacolas e destine: roupas para doar, caixas e coisas de papéis para recliclar...
É uma delícia sentir seu armário limpo, arrumado; seu guarda-roupa renovado, e melhor, ajudando outras pessoas!
É incrível como depois de uma boa limpeza as energias fluem melhor, como a casa fica iluminada e tudo parece mais feliz e leve.
Se você não fez isso ainda esse ano, corra, dá tempo!
Apreveite a energia mundial de passagem para outro ano para mudar algo na sua vida. A velha e manjada frase "ano novo, vida nova" tem seu valor. A limpeza também pode e deve ser espiritual, mental, até física, tá valendo!!
Muuuito importante: limpe astralmente sua casa e você mesma.
Receitinhas:
Para a casa -> num braseiro queime as seguintes ervas secas: alecrim, manjericão, e arruda. você pode recitar a seguinte reza enquanto defuma:

Em louvor do Santíssimo Sacramento do altar,

Esta minha casa eu estou a defumar,

Para que todos os espíritos maus,

Inveja, praga, mau-olhado

E artes diabólicas se hão-de afastar.

E a paz de Jesus nos venha abençoar.

(abrir a porta da rua e dizer três vezes)

Em louvor de São Bento

Sai o mal para fora que entre o Bem para dentro.


Vá passando cômodo por cômodo em movimentos circulares.
Depois acenda um inceso de canela ou alfazema para preencher o local limpo (em magia nunca se deve tirar algo sem por outro algo no lugar) e Be Happy!!!
Para você -> prepare um banho com as seguintes ervas: manjericão, elcalípito, arruda e erva-doce. Esquente a água e ponha as ervas em infusão. Depois coe e acrescente um punhado de sal grosso e gotas de óleo de menta. Jogue no corpo do pescoço para baixo, lentamente mentalizando a purificação e limpeza de todos os males que te afligem.
Depois vista-se e use o seu perfume preferido. O perfume é para preencher o que foi tirado e também para proteção. E be happy again!!!! hehehe


E vamos ser mais leves e felizes! Nao deixe pra depois o que você pode fazer HOJE!!!

Essa mensagem é especial!

Ainda volto para desejar feliz natal hehehe
Ah! aguardem, breve um conto de natal pra vocês em CONTOS INACABADOS.
Beijosss e ótimo final de semana!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ciclo de Conferências: Henri Atlan

As Conferências

Nos dias 21 a 22 de dezembro, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, através do Grupo de Estudos da Complexidade – Grecom, promoverá o ´Ciclo de Conferências: Desafios do conhecimento, enigmas do sujeito`. O evento contará com a participação do médico Henri Alan, pesquisador e professor emérito da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris.

A programação do evento será iniciada no dia 21, com as conferências ´Mito e Ciência`, às 10h; e ´A Sobre-determinação dos modelos pelo observador: uma propriedade dos sistemas complexos`, às 17h, no auditório da BCZM. No dia 22, às 18h, acontece a conferência ´Últero Artifical`, no auditório da Livraria Siciliano, no Shopping Midway Mall.

Para mais informações acesse www.ufrn.br/grecom ou calmeida17@hotmail.com ou ligue para os telefones 3215-3525 e 3211-9218.
Fonte: Portal da UFRN

Henri Atlan

Henri Atlan é um dos pesquisadores e intelectuais mais ativos
da Europa contemporânea, é médico, biólogo e professor em Paris.
Membro do Comitê Consultivo Nacional de Ética das Ciências
da Vida e da Saúde da França, Atlan conduz pesquisas de ponta
sobre as novas contribuições da biologia sobre a organização do
ser vivo.
Entre o Cristal e a Fumaça, seu livro mais conhecido, ele nos fala que
os seres vivos não são estáticos e rígidos, como os cristais. Tampouco são
evanescentes e transitórios, como a fumaça. Que entre a
simetria perfeita e a imprevisibilidade completa,, a natureza desenvolveu
uma forma de organização, ainda desconhecida e misteriosa, na qual
substâncias, células e tecidos são continuadamente renovados, mantendo
a estabilidade do ser. Para Atlan, presente no mais simples dos organismos e
impossível de ser imitado, esse processo de auto-organização, que não é
outra coisa senão a criaçãode ordem a partir da desordem, nos depara com
o próprio segredo da vida.





quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Contos Inacabados

O Bosque dos Agoniados

Por Luz Le Fay
Três


O velho Alexandro deu um sorriso maroto.
- Tem mulher nessa jogada? Hein? Hein? – falou cutucando o braço de Paulo, que odiava isso com todas as forças.
- Não cara...
-Não tem galho, mas vou te avisar, ninguém pode sonhar que te deixei ficar no laboratório no final de semana! – falou o bigodudo Alexandro, ainda com o sorriso maroto no canto da boca.
Paulo, que preferia se ver livre logo do cara e conseguir seu intento, deu uma risada de cúmplice e bateu no ombro do Alexandro, guardando as chaves do laboratório rapidamente.
- Mas me conta, quem é a garota?
Paulo deu uma risada, que achou mais apropriada que uma resposta, e foi deixando a sala do bigodudo que ainda lhe lançou uma piscadela.


Aliviado, Paulo seguiu a passos largos pelo corredor, cumprimentando um e outro aluno que passava. Seguiu para a o laboratório.
Era a primeira parte do plano já em andamento. Ficaria as duas noites do final de semana vigiando o bosque, as árvores, os baquinhos da praça e a mulher misteriosa.


Paulo soubesse ou não, naquela mesma noite haveria uma lua muito estranha no céu, rajada de fluidas nuvens, como se alguém houvesse passado a mão sobre um véu de fumaça branca e translúcida. Um círculo avermelhado também circunscrevia a bela lua cheia de verão.
Cedo da noite, Paulo se posicionou numa das janelas do laboratório de informática da universidade, de onde tinha uma visão ampla.
Estava obcecado pelo mistério.


E hoje ele descobriria.


Por volta das 23 horas daquela sexta-feira o campus inteiro já estava deserto. Um silêncio sepulcral parecia pesar ainda mais o ar quente da noite. Nunca parei para observar como isso aqui é sinistro quando vazio... Coçou os olhos que já ardiam de tanta fixação.
Fora um pio de coruja e a movimentação de gatos e gambares nas árvores, tudo estava tomado do mais profundo silêncio, as árvores mal sediam à brisa morna da noite.


Tudo parecia esperar...


Uma enorme nuvem cobriu temporariamente a lua e Paulo escorregou para o sono que teimava em fechar-lhe os olhos.

Silêncio.

Silêncio e escuridão.

De repente, um grito esganiçado cortou o ar com força de uma espada, ecoando pelo bosque a dentro. Paulo quase caiu da janela quando pulou alarmado. Desgrenhado, com os olhos ardendo e fora de foco, tentou ver o que se passava lá fora.


O grito se repetiu, seguido de uma voz baixa e sinistra que fez todos os cabelos de Paulo se eriçarem de só vez.


A nuvem finalmente descobriu o olho claro e prateado da lua e os raios insidiram sobre a cena insólita. Tão insólita que Paulo até hoje não sabe se pode confiar na sua sanidade mental:


Havia um homem e uma mulher.
Paulo reconheceu o rapaz que viera a seu escritório e o ameaçara com aquela conversa estranha, que agora não parecia assim tão desprovida de algum sentido, mesmo sabendo Deus qual seria. A mulher era a mesma que ele também vira, a misteriosa criatura que desaparecera na praça.


O homem gesticulava para ela, calmamente... parecia apontar para o alto. Enquanto a mulher mostrava-se claramente desesperada, e não havia dúvidas que o gripo fora dado por ela. Paulo esticou o pescoço para fora da janela e concentrou toda sua atenção na cena, tentando ouvir o que era dito.
- Não lute – dizia o sujeito que usava um sobretudo negro, embora fizesse um calor insuportável.
- Não... não! – exclamava a pobre mulher puxando o braço que o rapaz agora segurava com aparente delicadeza – o que eu fiz para merecer isso?! Por favor, por favor não!! – agora começava a aumentar a voz que resoava entre as árvores.


Os olhos faiscantes do rapaz se fixaram na sua pobre vítima e ela emudeceu de repente, como um rato fica paralisado ante uma naja.


Paulo não agüentava mais, já fazia menção de ir em socorro da mulher quando um vendaval ululante chegou até o bosque. As árvores se debatiam com a força das rajadas dos ventos, um uivo feroz vinha de toda parte onde o vento pentrava por entre os galhos, as frestas dos telhados. A janela onde Paulo se achava começou a zapiar de um lado para o outro perigosamente. Os gatos disparam com seus olhos espelhados votando-se assustados para todo lado. No meio daquele pandemônio, nenhum ser vivo parecia ter restado pelos arredores.


Paulo segurou a janela com força e tentou em meio à ventania novamente localizar o casal.


De repente os dois não estavam mais lá!


Nada.


O vento foi acalmando, as árvores parando de balouçar-se fortemente. A janela cedeu vagarosamente. E Paulo alucinado saiu correndo em direção à praça, a procura de algum dos dois, ou de qualquer indício deles. Algo que não deixasse que aquele mistério ficasse para sempre inacabado.


Nada.


Mas, não sabendo porquê, a luz da lua chamou a atenção de Paulo que levantou a cabeça e viu a estranha formação no céu. O círculo estava agora sem a névoa esfumaçada. A lua já descera muito. E o céu passara a mostrar suas estrelas.


Primeiro viu as três estrelas encarrilhadas. Constelação de Órion.


Depois sua vista se firmou melhor e ele viu. O caçador estava pomposa e claramente apontando sua espada para o Sul. Paulo instintivamente seguio com o olhar a direção da lâmina. E lá, bem embaixo dela uma árvore enegrecida rasgara a passagem de cimento da praça, para estranhamente posicionar-se onde não devia. Não lembro dessa árvore aqui antes...


Paulo aproximou-se mais e ouviu um choro baixinho.


- Vá embora... vá embora... - disse uma vozinha vinda de dentro da exótica árvore.


Seus pelos eriçaram-se ainda mais e ele, com muito medo rapidamente voltou para o laboratório, trancando todas as portas e jurando a si mesmo que tudo aquilo não passara de um sonho.

De uma loucura causada pela lua e pelo calor do verão.



***



Passadas dali algumas semanas, Paulo passeava pelas estantes da biblioteca e de repente encontrou um livro intitulado: Ritos de Morte. Folheou até parar numa página onde se lia: "como os povos arcaicos enterravam seus mortos no oco das velhas árvores, podendo algum deles perpetuarem-se para a eternidade como verdadeiras árvores...". Mais a frente "... muitas das almas fugitivas que vagam pela terra são recuperadas pelo velho caçador que vem buscá-las nas noites frias do inverno do hemisfério norte..."


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Contos Inacabados

O Bosque dos Agoniados

Por Luz Le Fay
Dois


Algumas coisas realmente estranhas podem acontecer na vida de um homem.

E era justamente uma dessas coisas que agora passara a ocupar boa parte dos pensamentos de Paulo. O bosque obscuro, a mulher e o sumiço insólito... As perguntas ferviam na sua cabeça. Primeiro precisava saber se o que ocorrera “ocorrera de verdade”, depois o que significava, quem era, o que era aquela mulher? Enfim, será que estava ficando louco? Todos os dias depois do “ocorrido”, Paulo ficava até tarde da noite peranbulando na praça das árvores, esperando ver novamente a moça misteriosa no banco do pequeno bosque. Todos os dias ele se sentava à sua mesa no núcleo de tecnologia da universidade e tentava se concentrar em suas tarefas, mas as perguntas insistentes não só não cessavam como se complexificavam e se ramificavam em teorias cada vez mais mirabolantes. Estava assim como imerso nas teias de seu raciocínio quando um fato mudou tudo.


Era uma tarde quente e as portas e janelas do laboratório estavam abertas. Paulo estava lá, olhando o nada, absorto nas teorias quando foi interrompido por um rapaz estranho debruçado sobre o balcão da recepção. Os olhos cintilantes pareciam alertas, embora extremamente calmos. Era bonito, com cabelos compridos presos em uma trança. Paulo achou estranho que ele estivesse vestido tão bem para aquela tarde quente.
- Ela – disse o sujeito, apontando um dedo para a porta – sua secretária, não estava, então não pude me anunciar pelos meios comuns. – e deu um sorriu enigmático.
- Sou Azhael – ele ofereceu um aperto de mão - Lúcio Azhael.

Paulo esitou um pouco analizando o rapaz estranho, de nome estranho... seria descendente de judeus? - finalmente o cumprimentou, dizendo seu nome e convidando-o a sentar numa das cadeiras de frente para sua mesa de trabalho.
- Posso ajudá-lo, Lúcio?
- Acredito que sim – recostou-se na cadeira unindo os dedos das mãos - desde que fique com o seu nariz metido entre estas máquinas e deixe de conversar com as árvores. – Falou o estranho e Paulo ficou primeiro perplexo pela frase claramente ameaçadora, embora dita de forma neutra, quase gentil. Depois porque não entendeu aquela conversa estranha. Fitou os olhos do sujeito. De que diabos essa cara está falando? Eu não falo com árvores!

Mas, como uma luz forte sobre seus olhos, viu-se revivendo o ocorrido na praça das árvores, no bosque da universidade... E se deu conta que alguém também vira a moça, ou seja, ele deduziu que o sujeito estranho estava falando da mulher na praça. Espere, não conversei com árvore nenhuma, e sim com aquela mulher...
- Aquela mulher não é assunto seu. – afirmou o homem como se pudesse ouvir os pensamentos de Paulo – ela já foi castigada por sua ousadia.
- Espere, espere! Quem é você? Do que está falando? Se for sobre a moça na praça...
- Você terá entendido quando parar para refletir. - disse o homem e levantou-se, parecendo a Paulo que ele fosse mais alto e forte do que pensara. - Vim para avisá-lo e já o fiz, isso só faço uma vez. – e o estranho saiu pela porta calmamente.
Paulo ficou lá, com os cotovelos na sua mesa, perplexo. Agora tudo se complicava ao extremo.

Ou não.


Como se não bastasse um mistério para torturá-lo agora havia outro. Um sujeito estranho, vestido de modo nada conveniente para o clima dessa cidade, entra na sua sala para ameaçá-lo por algo que ele mesmo nem sabe do que se trata. Se sua curiosidade em relação à moça da praça estava aguda, agora se tornara quase obsessiva. De modo que resolveu seguir mais firme na investigação e no desvendamento daquela loucura... mesmo não esquecendo a ameaça “gentil” do sujeito elegante.


E às quatro da manhã daquele dia já tinha um plano.


CONTINUA

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Contos Inacabados

O Bosque dos Agoniados

por Luz Le Fay





Um


Um vulto de homem cruza as ruas escuras da cidade. As luzes dos postes, fracas, iluminam apenas uma pequena área ao redor, ele foge das luzes, gosta da noite. A noite das criaturas divinas, das manifestações, das gestações. Seus olhos cor de aço brilham quando se volta para abrir a porta do carro. Do outro lado da rua, as árvores em seu balé calmante testemunham tudo, tudo o que não pode ser visto por olhos humanos. Testemunham a volta dele. Ele sorri com satisfação, seus lábios bonitos se abrem para dentes perfeitos e ele entra no carro e dá a partida.
Minutos depois Paulo desce de um táxi. Os olhos fixos na fumaça do cigarro, paga o motorista, distraído, e entra pelo portãozinho de ferro que emite um lamento, rangendo. Já se dirigia ao seu destino – o laboratório de imagem e som da universidade – quando ouve um choro vindo da pequena praça das árvores. Volta-se, procura ouvir novamente. Silêncio. Pensa que foi impressão, aquelas árvores rangem e assoviam sob a força do vento... Deve ter sido isso. Deu um passo e novamente ouviu o choro. De mulher. Triste, um lamento. Seus pelos se arrepiaram quando perscrutando a noite com o olhar não vê nenhuma mulher ali. Estava assim concentrado quando uma luz no segundo andar o trouxe à realidade. A luz caiu sobre alguns espaços da praça e ele ficou pasmo com o que viu.

Havia sim uma mulher no bosque. Cuja a obscuridade havia protegido do seu olhar. Mas agora sob a luz ele pode ver o perfil delicado voltado para as mãos que torcia sobre o colo. Parecia bela e jovem. Paulo coçou a nuca, como sempre fazia ao pensar, e se balançou nas pernas. Não parece uma das alunas da noite e já está bem tarde todos já devem ter ido. Olhou o relógio, quase 23 horas. A figura recortada pela luz permanecia imóvel, sentada num dos bancos sob as árvores. Depois de muito ponderar, Paulo resolve se aproximar da mulher. Segue pelo caminhozinho de pedras miúdas, os sapatos chiando e parecendo fazer o barulho mais alto do mundo. Ao notar sua aproximação a moça enxuga os olhos e fita o homem que pára a sua frente.
- Você está bem? – pergunta Paulo e emenda – há algum problema?
A moça levanta-se do banco assustada.
- Tudo bem... – enxuga os olhos com o dorso da mão. – já está tarde...
- É... – diz Paulo, analisando a moça sem perceber. – A essa hora todos já estão indo embora, é perigoso você ficar aqui.
- Eu sei... É perigoso para você também. – a moça lança um olhar que Paulo considera no mínimo estranho.
- Você está realmente bem, desculpe, é que vi você chorando... – arrisca ele.
- É verdade. Choro pelo meu destino. – a moça fez menção de ir embora, mas Paulo não pode conter a curiosidade e disparou:
- Que destino?
Aí a moça fez uma coisa que pareceu a ele, Paulo, um professor de “tecnologia da informática”, a coisa mais estranha, mais insólita que ele já vira: ela apontou para uma das árvores retorcidas da praça e quando ele virou-se para pedir uma explicação, a moça havia desaparecido.




CONTINUA

Ela é bonita... tem assim, aquele rosto angelical, meio menina, meio mulher... quanto a isso não há dúvidas. Descobriu o poder da aparência pois o mundo sempre se rende ao seu sorriso.

Mas parece que isso não basta.

Nunca basta...

Atraente como uma gata, ela é. Olhos que enfetiçam, mas unhas que podem ferir. Tantas e tantas vezes ela se viu sozinha, sua beleza se perdendo, se deteriorando no tempo.

Como uma rosa rubra e aveludada vai ficando seca e murcha, negra e despetalada, não colhida por ninguém...

E ela sempre, sempre fita o céu - deve ser por isso que vê mais estrelas cadentes que todo mundo! - o céu tão belo, tão distante, assim como ela.

As vezes pensa que é estranha, estrangeira. Enquanto ela vê cores e vida lá do alto da passarela, no horizonte multicor do fim de tarde, as pessoas passam, os carros passam, a vida passa, e todos parecem não ver. Os olhos não vêem, são baços.

E no meio do movimento incessante algo a parou. Ela era uma coluna sobre saltos 15.

Um folheto do Bob's nas mãos.

O tempo correndo e ela imune.

De repente era o centro de tudo, ao seu redor, acima e abaixo, pode ver tudo e além. Não havia limites para essa sensação, se via de fora, do alto, como aquela criatura humana no meio de tudo...

Que significaria essa visão?

"é viagem?" ela ouviu dizerem.


"A senhorita vai levar pra viagem?" Era o moço do Bob's perguntando.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Natal Feliz sem embrulho!

Olá pessoas.


E chegou a época natalina. há poucos anos atrás eu não só não gostava, como tinha ódio do Natal. Nada contra a festa em si, não, mas eu ficava deprimida, triste por motivos vários. Criamos, mesmo sem querer, uma espectativa de festa em família, presentes, confraternização, muita comida gostosa, etc, etc. Tudo isso que a mídia trata de exaltar todo ano mal chega novembro.


Aí, é claro que não estamos nos EUA, nem na Europa, e que vemos é pobreza, desentendimentos e muito, mas muito calor.


Eu olhava isso tudo e ficava revoltada e triste.


Mas hoje não penso mais assim. claro que continuo vendo tudo isso e não gosto nem um pouco, especialmente quando sei que muitas pessoas sofrem de fome e solidão no Natal.


Mas, sabe... eu vejo o Natal hoje com o meus olhos de criança e fico feliz.


São as coisas simples que encantam as crianças: as luzinhas em casa e pela cidade, as comidinhas da ceia, até a missa de Natal! Sim, é belo todo esse ritual, se visto sem o consumismo que a ele agregaram.


Não corro pra comprar presente, nem roupa nova, nada disso. Eu curto a atmosfera mágica que toma conta de boa parte do mundo. Curto essa energia que, bem ou mal, é positiva, como curto todo rito religioso, místico, mítico.


Então, vejo o Natal assim hoje em dia... pode ser que eu mude de idéia lá na frente, mudar de idéia é saudável e inteligente. Mas, por enquanto encontro alguma felicidade na contemplação dessa data.


O que é essencial do Natal é o que precisamos resgatar, ou seja, o nascimento de Jesus, o deus sol, a força da solidariedade, da compaixão, do amor entre os povos. O costume de presentear veio muito provavelmente do ato dos três reis magos que trouxeram presentes para o menino Jesus, mas eles não embalaram em caixas de plástico com papel alumínio e fita de seda!!!. Então, vocês gostam de dar presentes - o que aliás é bom em qualquer data hehehe - tentem optar pelo mínimo possível de lixo que sobrará do presente. Assim como mostra a ilustração da campanha "Natal sem embrulho":

Beijos nos corações!!!

Luz

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Já repararam como a maioria de nós se preocupa mais com coisas grandes que com pequenas? Por exemplo, todo mundo se preocupa com a guerra, pois ela arrasa pessoas e nações, causa males globais, não há dúvida!
Mas, e a guerra do dia-a-dia? Já pararam para pensar que enquanto a guerra é um fato exporádico - embora sempre iminente infelizmente -, o corpo a corpo da vida diária é constante? Tão constante que se tornou "normal". Guarrei um ódio desse palavra "normal"! O que é normal, meu povo?
Dá-se logo o adjetivo de normal a tudo que acontece sempre e, aparentemente, não se pode mudar.
Mas, enfim, mesmo que muitos achem normal o atrito humano diário, ele não é!
Então a gentileza e a educação são anormais? Sabe que às vezes realmente parece...
Vocês já se sentiram Ets por tratarem alguém bem? Eu já!!! As pessoas nos olham com desconfiança ou achando meio ridículo. Já me senti como aquelas senhorinhas simpatiquinhas que todo mundo acha legal, mas sai logo de perto porque a pessoa parece que tem um parafuso a menos kkkkkkkkkkk
Enfim, estive refletindo sobre a guerra da vida, e portanto, sobre a paz na vida.
Devemos cultivar a paz, não só a PAZ MUNDIAL que tantos desejam. As paz mundial começa ao nosso redor, pois o mundo é onde você está agora.
Se cada um de nós levar a paz conosco a todos os lugares que formos, pense que logo uma linda teia de luz, de agradável bem estar tomará as ruas, as cidades, os paízes e aí o mundo.
Para a paz é preciso desarmar a alma.
Ser mais tolerante, menos egoísta.
Perdoar o outro.
Aceitar o poder de ceder, pois dar a vez a outra pessoa é um poder para poucos num mundo em que as pessoas querem tomar a vez dos outros a qualquer custo.
Porque a noção de poder está deturpada.
Poder não é vencer.
Poder é comando sobre as situações, é a capacidade de tomar decisões, não importa quais.
Poder é responsabilidade sobre si e sobre seus atos.
O que menos existe nesse planeta são pessoas com poder, pois é difícil para nós termos consciência de que esse conceito está torto, superar as imposições cuturais e sociais que exigem de nós a vitória sempre. E a vitória é sempre em detrimento do outro.
Então, desejo que tenhamos mais momentos de lucidez, de consciência, e que não tenhamos vergonha de ceder. Pois fortaleceremos cada vez mais nosso espírito para podermos um dia merecer o poder que está latente em cada um de nós: sentelhas divinas que somos!
Paz e Luz

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tudo vale a pena SIM!

Não sei dos motivos que levam um ser humano a ter a péssima idéia de criar um animal quando não gosta de animais.
Porque nem venha me dizer que "gosto de gatos porque eles são tão fofinhos e lindos", como se isso fosse motivo suficiente.
Fofinhos e lindos são também os bichinhos de pelúcia!
Essas pessoas deviam se contentar com uma fofura NÃO VIVA!

Estou dizendo isso, com tamanha indignação, porque desde ontem um pequenino gatinho está miando aqui por perto da minha casa. Só hoje, passando pela calçada o encontrei. Estava em cima do muro do vizinho, tadinho. Faminto, e pior: com os olhinhos colados por uma infecção!

Coloquei leite para ele, mas o pobrezinho além de não enxergar provavelmente estava assustado e febril devido a infecção.
Fui buscar água fresca, algodão, soro fisiológico e pomada, que por sorte tenho aqui.
Algumas pessoas que viram meu empenho logo disseram "menina, não pegue nisso não, sabe lá que doença o gato pode ter", a outra "ele deve ser cego".

Resultado, depois que fui limpando os olhinhos do gato, ele soltou o pus dos olhos e depois de limpos estavam absolutamente normais. O bichinho voltou a enxergar! Passei a pomada e coloquei-o de volta no muro com uma generosa tigela de leite com ração.

Digo que tudo vale a pena sim pois vocês não imaginam minha alegria quando o gatinho voltou a enxergar!

Não posso adotá-lo pois já tenho 3 gatos e um cachorro.
Mas, se alguém quiser ficar com o bichinho é só falar, ele é macho, mourisco.
Vou tirar umas fotos dele e posto aqui mais tarde.

Beijos no coração.

Ps. Esse tipo de coisa acontece porque os donos irresponsáveis não castram seus gatos. Saibam que machos podem ser castrados por apenas 70 Reais em qualquer veterinário. As fêmeas são um pouco mais custosas pois se trata de uma cirurgia de esterectomia: 130 Reais.
Mas vale a pena, é tranquilidade para o resto da vida do bichinho e do dono hehehe.