quinta-feira, 4 de março de 2010
Mulheres-pássaro, mulheres-fadas
terça-feira, 2 de março de 2010
Viagem no tempo: papéis de carta das décadas de 80 e 90
São só alguns.
Mas estão lá. No fundo da caixa florida de Pandora, aquela que abri no post passado hehehe
Já foi uma coleção de pelo menos 50 papéis suavemente decorados.
E comprávamos em bloquinho lembram? Por isso, nós garotas românticas, trocávamos alguns papéis entre nós para aumentar a coleção.
Eu tinha uma pasta, daquelas com plásticos, para organizar os papéis e folheá-los quantas vezes quisesse sem estragá-los.
Havia os raros e os muito caros, tá pensando o que?
Eu adorava os de gatinhos, bichinhos.
Tinha os papéis com casais de criancinhas, e aqueles das mocinhas românticas andando de bicicleta ou lendo livros num jardim bucólico... ooowwww como eu queria ser uma francesinha daquelas hehhehe
Apenas quem foi adolescente na década de 80 e 90 sabe bem o sentido de ter uma coleção de papéis de carta.
Vasculhando na net tive uma grata surpresa, pois ainda existem coleções intactas tanto de colecionadoras que continuam comprando e trocando, quanto pastas com mais de 200 papéis para vender! Que coisa linda!
Encontrei o maravilhoso blog da Ana Clara que disponibiliza para cópia e impressão uma boa quantidade de papéis de carta, vão lá e confiram: http://papeis-de-carta.blogspot.com/
segunda-feira, 1 de março de 2010
A máquina do tempo
Ai que saudade e que recordações me trouxeram...
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Quero muito uma gatinha fofinha
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Doces recordações
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Viver

VIVER
Carlos Drummond de Andrade
Mas era apenas isso,
era isso, mais nada?
Era só a batida
numa porta fechada?
E ninguém respondendo,
nenhum gesto de abrir:
era, sem fechadura,
uma chave perdida?
Isso, ou menos que isso,
uma noção de porta,
o projeto de abri-la
sem haver outro lado?
O projeto de escuta
à procura de som?
O responder que oferta
o dom de uma recusa?
em termos de esperança?
E que palavra é essa
que a vida não alcança?
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
O magnífico significado da chave

No conto do Barba-azul a chave é a saída para a mulher ingênua, na história da Donzela Teodora as respostas corretas são as chaves para a salvação dela e de seu dono. Elas abrem as portas da liberdade de escolha para ela e a sobrevivência do mercador.
Ela figura, em última instância, como um exemplo para as mulheres que se portam como presas ingênuas das circunstâncias e da pressão cultural. A história da donzela Teodora grita a cada página: “esta é a força da mulher, seu conhecimento de alma, as sete artes liberais”. Lembra-nos da velha forma de se referir a algo muito escondido como um “segredo guardado a sete chaves”.
A sábia Teodora é a personificação imaginária dessa potência que acaba por romper a norma cultural. Ela é como Ártemis ou Diana, livre. Na sua história Teodora nega-se a casar com o rei, pois para ela seria como cair na mesma armadilha da esposa do Barba-azul, tendo aprisionada sua alma selvagem.
“Faça o que quiser”, diz o Barba-azul. “Donzela podes pedir, dou-te palavra de honra fazer-te o que exigir, de tudo que pertencer-me, poderás tu te servir”, declara o Rei Miramolin Almançor.
Frases semelhantes que escondem o não dito: “desde que dentro dos limites do meu território, dentro do permitido”. Se ousar transgredir esta norma implícita, a mulher é perseguida, punida e até morta. Portanto, tanta cortesia há de ser muito bem analisada.
Este discurso de liberdade é falso, pois oculta a existência de limites bem definidos. Impede a mulher de conhecer o jogo de poder que existe por traz do que Foucault trata por discursos ou jogos de verdades. Como Psique ao espreitar Cupido, para conhecer a verdadeira face de seu esposo, Teodora acaba por desvendar uma falsa felicidade.
Como nos diz Clarrise Pinkola Estés: Não lhe é permitido registrar o conhecimento sinistro a respeito do predador, muito embora, bem no fundo da psique ela já compreenda bem a questão.
O Barba-azul é a metáfora do discurso armado que procura circunscrever os limites do permitido no campo do conhecimento, agindo de forma a estabelecer as interdições para a mulher neste campo.
Ele proíbe a esposa de usar a pequena chave que a traria de volta à consciência de si mesma.
Para Estés, proibir uma mulher de usar a chave que leva à consciência é o mesmo que lhe arrancar a Mulher Selvagem, seu instinto natural de curiosidade e sua descoberta do que ‘se esconde por baixo’.
Sem esse conhecimento, que advém da própria curiosidade, a mulher está desprovida de proteção adequada. A obediência ao Barba-azul, ao rei ou qualquer outro elemento que figure como predador, assim como às normas restritivas da cultura, significa a morte para o espírito. Então, ao optar-se por abrir a porta de acesso ao horrível quarto proibido, ou ao voltar-se para olhar o que não se deve, escolhe-se a vida, a possibilidade da criação, o movimento, a interação com outros mundos.
A porta fechada, por sua vez, aparece nos contos e mitos como uma barreira psíquica, um impedimento colocado à frente do segredo, que bloqueia a possibilidade de tomarmos conhecimento do que já sabemos intuitivamente. A porta aparece, ainda, como uma possibilidade de travessia, de passagem para o desconhecido. Possibilidade de sair de uma condição para entrar em outra, saída da ignorância para o conhecimento.
Assim, a superação dos obstáculos se dá através do “antídoto mágico correto”: a chave.
As bruxas para os íntimos
As mulheres-fadas, mulheres-lobo, mulheres-pássaro - as bruxas como são mais conhecidas – podem, para os íntimos, ser uma benção ou uma maldição. Você já teve alguém assim perto de você?
Se não, precisa conhecer.
Primeiro exaltarei as maravilhas de ser e ter uma bruxa na vida.
Monotonia não existe perto de uma mulher-lobo, para elas o mundo todo é encantado. Quando chove, correm para banhar-se nos pingos com o mínimo de roupa que for possível; se é noite, passam horas admiradas com as estrelas, com a lua, de quem são velhas amigas.
Se ficam tristes, comem chocolate, tomam sorvete, porque não são escravas de nada, menos ainda da estética imposta ao corpo feminino; têm longos cabelos porque são seus véus e o encanto da sereia, o mistério da cigana.
Se estão felizes gargalham alto, dançam, rodopiam.
Amam e odeiam na mesma intensidade, e não se arrependem de nada. Mas mudam de opinião se preciso, pois tudo no mundo muda. E elas sabem muito bem sobre as marés.
Se você não tem uma mulher-fada perto de você, corra atrás dessa dádiva! Elas dão sorte, alegria, intensidade, razão de ser do mundo e das coisas.
Eu não brinco quando digo isso.
Porque mulheres bruxas não são para brincadeiras.
Elas podem ser más como é a natureza quando desrespeitada. São fúrias. Se são água, alagam, minam, dissolvem até a carne; se são fogo, consomem sem perdão, se alastram queimando, transformam tudo em cinzas; se são terra, engolem, sufocam, soterram, pesam, deixando somente escombros; se são ar, de nada adianta fugir, pois estão em toda parte, até dentro de você, se sopram com fúria ou constância, pouco importa, o fim é o precipício.
Mulheres-pássaros são livres, mulheres-lobos são selvagens, mulheres-fadas não pertencem a um único mundo...
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Eu gosto de me pintar
Assim, como quem vai pra guerra. Ou pra festa. Tanto faz...
O que eu gosto mesmo é de me pintar, de me colorir, de me recriar.
Destacar os olhos, como se fazia num longínquo templo nas areias quentes do Egito. Imitando o traçado selvagem dos felinos, um traço acima, um traço abaixo, em longas sinuosas linhas negras. Depois vai cor nas pálpebras.
Como gosto de me pintar.

Pintar-me como as índias. Um traço largo de urucum e pintas de onça com o suco do genipapo.
Gosto tanto de me pintar que a tinta se expande aos cabelos. Tinta não, como diria um amigo meu, coloração. E vou ao delírio das cores!

Parece que me fizeram sem cores, tudo um só castanho sem graça, modorrento. Queria mesmo é ser ruiva e colorida natural: cabelos fogo, olhos céu, pele leite.

Cigana!
Bruxa!
Mística!
Já me rotularam tanto.
E eu simplesmente gosto de me pintar.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
O mundo em papel couché

E quando bate a nostalgia, assim, em pleno sábado pós Carnaval, não é bom sinal.
Não mesmo.
Pior que não fiquei, na rede balançando horas, lembrando de velhos amores ou de amigos distantes. Não.
Fui mais atrás, mais longe no tempo, até a infância.
Infância querida... Como diria o poeta Gaston Bachelard.
Lembrei sobretudo dos livros. E eram muitos, uma biblioteca que meu pai comprou por uma bagatela, quando veio de Brasília. No meio de tantos livros uma coleção, uma enciclopédia para crianças era a minha preferida.
Lembro da cor da capa, branquinha, capa dura com letras douradas. E o cheiro! Ah aquele cheiro de livro novo! Toda criança conhece, ou pelo menos deveria conhecer esse cheiro.
Não existe outro igual.
Era uma beleza a enciclopédia, e tratava de descrever com texto e ilustrações coloridas sobre papel lizinho e brilhante (que hoje eu sei que se chama papel couché), as maravilhas do universo infantil.
Algumas dessas imagens me marcaram muito. Uma delas falava já em preservar o nosso “planetinha”, e em tons pasteis sentava-se sobre o planeta Terra uma criança desproporcionalmente maior que ele. Quando vi, alguns anos depois uma ilustração do Pequeno Príncipe em seu planetinha, fiquei chocada de tão maravilhada!
O universo de uma criança não tem limites. E como é importante o que nos rodeia nessa fase.
Constrói nosso caráter.

Além dessa belíssima enciclopédia havia um livro bem fornido, devia ter lá suas 300 páginas, com histórias francesas. Nesse as ilustrações eram apenas à bico de pena, e eu, dada a tantas cores, tasquei lápis de cor nos desenhos. Como poderia a língua do cordeirinho não ser rosa??
Também passei muitas horas embaixo do pé de goiaba do meu quintal me deliciando com as aventuras de Peter Pan! Quando se é criança tem-se todo o tempo e o espaço do mundo!
Estou nostálgica mesmo...
Não sei se só dos livros. Talvez do tempo que não volta mais...
Mau sinal para uma mulher de 35 anos que precisa correr contra o tempo. Não sei por que, nem sei pra que correr tanto!
Ai, hoje, só hoje, gostaria de voltar a ser aquela criança com aqueles livros.
E ver o mundo bem mais belo e colorido no papel couché...













