Sentei-me em lótus
No meu altar
e respirei
simplesmente respirei
sorvi e expeli o ar
Cheguei ao estado meditativo
a mente vazia
Meu olho então captou uma luz
e fiz uma viagem semelhante a esta:
quinta-feira, 18 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
Simples e complexamente EU
Eu nasci no outono, precisamente no mês de julho, na véspera do plenilúnio.
Chovia.
Sempre chove muito nesse dia. Meus aniversários, portanto, são sempre molhados, úmidos, meio tristes...
Sou regida pela água, uma água lunar, mas em ebulição por força de Marte.
Em tudo exacerbada essa água.
Se há tristeza, é profunda. Alegria é tresloucada. Amor, é desvario.
Se há guerra é carnificina.
Se há paz, é cósmica.
Porque sou assim – e me conheço bem – vou tratando de procurar nos meus excessos o que há de proveitoso, não vou de encontro à minha natureza. Isso não funciona.
Se sou lâmina, meu metal deve ser aperfeiçoado, moldado a partir da minha essência, do que eu sou.
Se sou barro, que seja amaciado e curvado, em côncavo, para abrigar minha alma aprendiz, mas ainda assim, minha própria alma.
Sempre fui o que sou, como a pedra levemente brilhante é talhada e burilada até o estado de diamante.
Serei um dia diamante, mas já sou diamante.
Sou nascida e bendita pelo manto negro da noite, coroado por nossa madrinha Lua, nossa outrora casa natal.
Sou mulher das águas, das marés cósmicas.
Simples e complexamente EU.
Chovia.
Sempre chove muito nesse dia. Meus aniversários, portanto, são sempre molhados, úmidos, meio tristes...
Sou regida pela água, uma água lunar, mas em ebulição por força de Marte.
Em tudo exacerbada essa água.
Se há tristeza, é profunda. Alegria é tresloucada. Amor, é desvario.
Se há guerra é carnificina.
Se há paz, é cósmica.
Porque sou assim – e me conheço bem – vou tratando de procurar nos meus excessos o que há de proveitoso, não vou de encontro à minha natureza. Isso não funciona.
Se sou lâmina, meu metal deve ser aperfeiçoado, moldado a partir da minha essência, do que eu sou.
Se sou barro, que seja amaciado e curvado, em côncavo, para abrigar minha alma aprendiz, mas ainda assim, minha própria alma.
Sempre fui o que sou, como a pedra levemente brilhante é talhada e burilada até o estado de diamante.
Serei um dia diamante, mas já sou diamante.
Sou nascida e bendita pelo manto negro da noite, coroado por nossa madrinha Lua, nossa outrora casa natal.
Sou mulher das águas, das marés cósmicas.
Simples e complexamente EU.
Trago notícias: é outono
Por aqui trago notícias...
As marés mudam novamente.
Os ventos agora trazem o cheiro do mar,
vindos do noroeste, trazem também o Outono.
Para quem tem olhos e sensibilidade, o Nordeste também tem outono.
São as folhas que caem, os cheiros que mudam...
São os prenúncios das chuvas
E o adeus ao viril verão varão.
São as sementes maduras
o tempo da terra emprenhar
por aqui as marés mudam
em sua espiral infinita
e mesmo o que parece caos
é ordem
uma ordem maior e divina.
por Luciana Luz
quarta-feira, 10 de março de 2010
Encontro marcado
Mais um conto da série Contos Inacabados.
Veja os contos anteriores aqui
Em meio ao caos da metrópole, uma mão pequena e firme segurou o braço da moça.
Quando ela se virou assustada, temendo um assalto, deparou-se com uma cigana em trajes coloridos e olhar lúgubre.
Pôs na mão da moça um pedaço de papel e apertando ainda mais sua mão disse:
- Não é um convite, é um encontro marcado! – e fixando o olhos da garota saiu, misturando-se na multidão até sumir.
Depois do choque, a moça olhou perplexa para o pedaço de papel, no qual havia apenas um endereço, uma data e hora.
Algumas coisas estranhas já lhe acontecerem ao longo dos seus 30 anos, mas nada tão intrigante. Tanto que passou os dias seguintes a mirar o pequeno pedaço de papel, sem se resolver a jogá-lo no lixo.
A data marcada enfim chegou.
Foi um dia estranho. Não foi ao trabalho pois acordou muito tarde.
Isso raramente acontecia a ela.
Não saía da cabeça da moça a frase da cigana e ela voltava a mirar o pedaço de papel.
Tão perturbada ficou que, num impulso, resolveu tirar aquilo a limpo, comparecendo ao tal “encontro marcado”.
Tomou um taxi e foi ficando apreensiva vendo que o endereço levava-a para longe da cidade, tomando a estrada para alguns sítios e chácaras nos arredores.
Se deu conta, afinal, que devia ser uma festa cigana!
E era.
Foi recebida como se fosse ansiosamente esperada. A cigana que lhe havia dado o papel aproximou-se logo da moça e serviu-lhe um chá quente e doce.
- Este é o chá do amor – disse, com um sorriso estranho.
Várias pessoas dançavam ao redor de uma enorme fogueira, no centro do acampamento cigano.
Ela bebericava o chá, observando a sinuosa dança das saias rodadas, quando viu um homem junto às árvores, sozinho, olhando para ela.
Ele fez sinal para que a moça se aproximasse e ela, sentindo-se como num sonho estranho, viu-se rapidamente na sua frente.
As mulheres que dançavam não estavam mais ao redor da fogueira qando ele a levou pelo braço até lá.
O belo homem de cabelos negros presos num rabo de cavalo circulava o fogo com o corpo flexível, tocando com fúria alucinada e sensual seu velho violino.
A moça sentia uma frenética energia percorrendo-lhe o corpo e pôs-se a dançar. No universo inteiro só existiam os dois e a cada rodada da sua saia novos mundos eram criados.
Dançou assim a moça até cair de cansaço e prazer.
Acordou nos braços da velha cigana que sorrindo lhe disse assim:
- Milha filha, que bom que vieste encontrar com Kingsohr! Ele muito a desejou!
A moça agora ainda mais confusa olhou-a sem nada entender.
- Klingsohr, minha criança, é o Feiticeiro que, quando se reveste de matéria física, se apresenta no mundo dos humanos como um bonito cigano. Ele tem o dom do encantamento pela música, tocando seu violino mágico traz felicidade a quem fez por merecer. Mas também pune caso seja necessário.
- É um ser solitário - continuou falando a cigana - e vive a vagar pelas estradas, protegendo os viajantes em geral, mas principalmente nós, os ROMS, os ciganos, pois muito nos ama. Quando há uma festa em um acampamento cigano, ele sempre se aproxima, e quem tiver o poder da visão, por certo o verá a tocar seu violino mágico junto à fogueira.
- É um ser solitário - continuou falando a cigana - e vive a vagar pelas estradas, protegendo os viajantes em geral, mas principalmente nós, os ROMS, os ciganos, pois muito nos ama. Quando há uma festa em um acampamento cigano, ele sempre se aproxima, e quem tiver o poder da visão, por certo o verá a tocar seu violino mágico junto à fogueira.
Por Luciana Luz
Baseado na lenda de Klingsohr.
domingo, 7 de março de 2010
Uma frase para refletir
Não existe acaso, pois o que chamamos de acaso é nosso desconhecimento do mecanismo da causalidade. Jorge Luis Borges
O desejo de Lolita
Eu sou uma dessas pessoas que quando encasquetam com uma coisa huhuuumm, sai de baixo! Sabe como é? Dessas pessoas que movem o cosmos e conseguem o que querem?
Pois pronto, tá falando com uma hehehe
Claro, nem tudo que eu quero acontece, né? Seria até chato.
Mas a sensação que tenho é de que quando eu quero mesmo, com um sentimento seguro, puro, profundo, aí parece que dá um start e um mecanismo começa a se mover em função daquele desejo.
Tudo que existe surgiu do desejo...
Pois bem, estive a semana inteira na vibe e sexta consegui a gatinha fofinha que tanto queria. Lembram que postei sobre isso aqui?
Infelizmente não foi doação, tive que comprar mesmo, mas to mega feliz :D.
Antes que alguém fale dos gatinhos de rua para adoção, digo que sempre tive, tenho e terei gatos sem raça definida, no momento tenho dois aqui. Não adotei por obrigação, não acho que devamos assumir o erro que outras pessoas cometeram não castrando seus gatos e jogando as ninhadas no lixo ou na rua. Adoto gatos SRD porque adoro gatos!
Sempre sonhei que alguém me desse uma gatinha fofinha, de raça ou SRD... mas não aconteceu, aí, depois que Toinho se foi, encasquetei com a idéia da gatinha fofinha.
Na tarde da sexta-feira, eu, consumida pelo desejo insano, fui lá e comprei! (afe! Parece drama de novela heheheh)
Bem... doada ou comprada, tanto faz, o que importa é que realizei meu desejo, né não?
Então, apresento-lhes Lolita!
Essa gostosa é uma filhotinha de três meses da raça Himalaio, que é uma mistura entre persas e siameses.
Olha que sapeca
Só posso dizer que to curtindo mooooooooooooooooooooiiiitooooo!
Beijos meus e ronronado da Lolita!
quinta-feira, 4 de março de 2010
Mulheres-pássaro, mulheres-fadas
A pedido da minha linda amiga Letícia, retomo a postagem sobre as mulheres bruxas (que você pode ler aqui ), para falar das mulheres-fada e mulheres-pássaro.
Comecei pensando no poder das asas.
O ser humano sempre sonhou em ter asas, já repararam?
Talvez tenha sido o primeiro desejo humano, acho que não foi nem a imortalidade, foi a liberdade.
Acredito que, mirando o céu cheio de seus mistérios, talvez de nossa própria origem (creio piamente nisso), tenha a humanidade em seus primeiros momentos de consciência, a vontade delirante de poder subir aos céus...
Voar.
Ter asas muito se confunde, pelo menos para mim, com o conceito mais cru do que seja liberdade. Daí o fato delas serem dadas aos deuses, aos anjos, aos seres especiais, não a nós, pobres mortais.
A deusa Ísis tinha enormes asas e usou-as na busca por seu amado Osiris.
Mas, que eu não seja injusta, na noite, durante nosso sono, vai planar pelos mundos o nosso espírito. Alguns crêem que só nos sonhos, eu creio que de fato.
As mulheres-pássaro, as mulheres-fadas sabem bem o que é isso.
O ar é seu habitat, mais que qualquer outro elemento. Por isso, se não são livres, anseiam desesperadamente por isso. Habitam no topo das coisas.
Planam.
Mas também, e por esse motivo, muitas vezes são inaptas à vida comum. Se sentem mais estranhas que qualquer outra mulher. A beleza das coisas, para essas mulheres aladas, passa por uma estética toda especial, muitas vezes racionalizada.
Se sangadas podem ser cruéis por sua frieza de ave de rapina...
Todas nós temos um pouco de cada uma dessas “mulheres selvagens”, como diria Clarissa Pinkola Estés em seu livro Mulheres que correm com os lobos.
Mas sempre uma delas se sobressai e aí podemos ter uma noção da nossa natureza mais profunda...
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terça-feira, 2 de março de 2010
Viagem no tempo: papéis de carta das décadas de 80 e 90
São só alguns.
Mas estão lá. No fundo da caixa florida de Pandora, aquela que abri no post passado hehehe
Já foi uma coleção de pelo menos 50 papéis suavemente decorados.
E comprávamos em bloquinho lembram? Por isso, nós garotas românticas, trocávamos alguns papéis entre nós para aumentar a coleção.
Eu tinha uma pasta, daquelas com plásticos, para organizar os papéis e folheá-los quantas vezes quisesse sem estragá-los.
Havia os raros e os muito caros, tá pensando o que?
Eu adorava os de gatinhos, bichinhos.
Tinha os papéis com casais de criancinhas, e aqueles das mocinhas românticas andando de bicicleta ou lendo livros num jardim bucólico... ooowwww como eu queria ser uma francesinha daquelas hehhehe
Apenas quem foi adolescente na década de 80 e 90 sabe bem o sentido de ter uma coleção de papéis de carta.
Vasculhando na net tive uma grata surpresa, pois ainda existem coleções intactas tanto de colecionadoras que continuam comprando e trocando, quanto pastas com mais de 200 papéis para vender! Que coisa linda!
Encontrei o maravilhoso blog da Ana Clara que disponibiliza para cópia e impressão uma boa quantidade de papéis de carta, vão lá e confiram: http://papeis-de-carta.blogspot.com/
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segunda-feira, 1 de março de 2010
A máquina do tempo
Outro dia, estava arrumando as caixas aqui no meu cantinho de estudo, que chamo de escritório hehhehe, quando ao abrir uma das caixas me deparei com uma máquina do tempo.
Achei aquilo pouco auspicioso... humm...
Mas... bem, depende do ponto de vista...
Como na caixa de Pandora, pularam de dentro algumas dezenas de cartões, cartas, bilhetinhos e tudo o mais que eu, uma canceriana típica, guardara com esmero por anos, numa bela caixa florida.
Além dos cartões, que li, um a um, relembrando amigos, aniversários, natais, também encontrei cartas de amor.
As que recebi e umas que nunca entreguei.
Lindas.
Como eu sabia amar, enquanto não sabia nada da vida...
Depois dessa viagem no tempo, dessa passagem mítica – a abertura da caixa – lá no fundo da caixa achei também minha coleção de papéis de carta!
Ai que saudade e que recordações me trouxeram...
Ai que saudade e que recordações me trouxeram...
Mas, pra não ficar uma postagem enorme conto sobre essa outra viagem amanhã, ok?
Beijos
Ps: lembrei o tempo todo daquela música do Roberto Carlos "escreva uma carta meu amor e diga alguma coisa por favor..."
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