quinta-feira, 25 de março de 2010

Miau

Miau

Os felinos
docemente me perseguem
desde a infância.

De todas as cores
variedade de pelos
invariavelmente
vira-latas.

Sagrados
no Egito
em minha casa ocupam
altares profanos.

Principalmente a cama.

Ricardo Mainieri

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Sagrado Coração e o Amor Crístico


Amigos quero compartilhar com vocês uma informação muito linda que recebi de ontem para hoje.
De repente, começaram a vir na minha mente as imagens de dois quadros que havia na casa dos meus avós, hoje já falecidos.
Eram os quadros de Jesus e Maria, ambos com o peito aberto, mostrando seus corações.
Lembro que aquelas imagens  me chocaram muito quando eu era menina. O peito rasgado com um coração rodeado de chamas, e no caso de Jesus, cravado por uma coroa de espinhos.O tempo passou e aquelas imagens ficaram no passado.
Mas ontem de noite estive pensando sobre o chacra  (ou chakra) do coração. A princípio não liguei as idéias com as imagens dos quadros, mas antes de dormir, naquela hora em que ficamos entre o sono e a vigília, elas chegaram.Suavemente as imagens foram chegando. E com ela alguns questionamentos fundamentais.
O que significavam aqueles corações expostos, além do óbvio: coração aberto?
Mas, por que não considerar também o óbvio da idéia do coração aberto?
Se pensarmos metaforicamente, é simples: coração aberto significa bondade, clareza de sentimentos... Mas será que é apenas isso, embora seja já muito?
Pois bem, esses quadros que me chocaram lá na casa dos meus avós são chamados de Divino Coração ou Sagrado Coração, de Jesus ou de Maria.
Conta a história da Igreja Católica que Jesus Cristo apareceu à Santa Margarida Maria Alacoque, jovem religiosa da Ordem da Visitação, para transmitir sua mensagem de misericórdia e confiança, exatamente a 16 de junho de 1675, em Verosvres, na Borgonha. Margarida Maria tinha vinte e cinco anos e estava recolhida em oração diante do Santíssimo Sacramento, quando teve o singular privilégio da primeira manifestação visível de Jesus, que se repetiria por outros dois anos, toda primeira sexta-feira do mês.
Em 1675, durante a oitava do Corpo de Deus, Jesus manifestou-se a Margarida Maria e, com o peito aberto e apontando com o dedo seu Coração, exclamou: "Eis o Coração que tem amado tanto aos homens a ponto de nada poupar até exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes o seu amor. E em reconhecimento não recebo senão ingratidão da maior parte deles".
Margarida Maria foi canonizada em 1920, tornando-se então, Santa Maria Margarida Alacoque. Para a Igreja Católica o Sagrado Coração de Jesus significa AMOR que transborda os limites humanos, calor, abrigo, vida que jorra em abundância e encarna o próprio CRISTO como sentido de VIDA.

Amor – Cristo – Vida

O chacra do coração é muitíssimo importante para esses três aspectos. É o chacra do amor incondicional, do amor crístico. Cristo é um estado de consciência, que se alcança ao expandir-se esse chacra, ao abrir seu coração!

Ligado diretamente ao chacra do coração está o da vida, o chacra básico.

Portanto, eis um significado fascinante para essas imagens! O que a aparição de Cristo veio professar a Margarida Maria foi a mensagem urgente de amarmos uns aos outros incondicionalmente. E que amor é esse?

Estiva mergulhada nessa pergunta...

E de repente, novamente a imagem do peito aberto, rasgado, até sangrando, com um coração pulsante dentro me veio. Um coração vulnerável, sem dúvida, mas por outro lado cheio de poder, do poder do amor que nada teme!

Gente...

Uma imagem muito forte.

Outro aspecto importante do chacra do coração é de que só através de sua expansão, se pode expandir o chacra frontal, também conhecido como terceiro olho.

Agora pensam: se as pessoas abrirem o terceiro olho poderão ver a vida como de fato ela é, sem os véus da ilusão que nos cercam na materialidade.

Depois pensei sobre o porquê do sagrado coração, do imaculado coração, do divino coração ser sempre sangrento ou rodeado de chamas.

O primeiro aspecto pode dizer respeito ao sacrifício, o que inclui aí a coroa de espinho.
Fato interessante, muito significativo do ponto de vista do simbolismo do coração, é o ex-voto, datado de 1770, que se encontra na igreja de Lichtental, na Alemanha. Pode-se ver nele não apenas a forma simbólica, mas o coração anatômico com a aorta pulmonar e a árvore coronária perfeitamente representadas.
Enquanto o aspecto das chamas me parece claramente relacionada à própria imagem do chacra.

Como podemos ver o chacra coronário tem 12 pétalas.
Em sua aparição o Cristo fez a Margarida 12 promessas:

1ª Promessa:“A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”.
2ª Promessa:“Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.”
3ª Promessa:“Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”.
4ª Promessa:“Eu os consolarei em todas as suas aflições”.
5ª Promessa:“Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”.
6ª Promessa:“Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”.
7ª Promessa:“Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”.
8ª Promessa:“As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”.
9ª Promessa:“As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.”
10ª Promessa:“Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos ”.
11ª Promessa:"As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”.
12ª Promessa:“A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Segundo a sabedoria Hindu, ANAHATA  o Chakra do Coração é um vórtice de energia  localizado no centro do tórax (entre os mamilos), corresponde à Glândula do timo e possui doze letras: ka (ka), kha (kha), ga (ga), gha (gha), na (na), ca (ca), ccha (ccha), ja (ja), jna (jna), ta (ta), tha (tha) inscritas nas doze pétalas de vermelho carmim.

O elemento ar está representado por um hexágono esfumaçado que representa o ponto de encontro do divino com o humano. Acima do hexágono está o sol com uma radiação de "dez milhões de luzes".

O mantra semente, 'bija' para o ar é (y) 'yam' apoiado sobre um cervo negro. A divindade que preside é Shiva de três olhos representa o sistema de todo o mundo onde as diversidades das realidades fenomenológicas de espaço e tempo são gradualmente revelados.

A energia dele é chamada de Kakini Sakti em amarelo brilhante, uma única face com três olhos, quatro braços, segurando um laço e uma caveira, e fazendo os gesto para garantir os benefícios e dissipar os medos. O Chacra está associado com o elemento ar e o princípio do toque.

Assim, fico muito feliz em compartilhar esses instantes de inspiração aqui com vocês.
E, embora as palavras sejam probres para descrever o sentido que essa meditação me trouxe, desejo que o amor crístico seja alcançado por nós, cada um pelo caminho que tiver escolhido.

terça-feira, 23 de março de 2010

Ô vida difícil!
:D : D : D

Poesia para o gato



Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Tu tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa

domingo, 21 de março de 2010

Lolita

Fotos que tirei neste domingo da fofinha Lolita.
Ela esteve meio dodói. Coisas de filhote, sabem como é... mas já tomou vermífugo e está tomando umas vitaminas muito boas.
Agora já está toda esperta e ficando gordinha. 
 Aqui Lili, muitíssimo interessada na brincadeira com Lolita hehehe
Muito linda!

Desejo a todos uma semana de paz e amor no coração.
Beijos!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Viagem cósmica

Sentei-me em lótus
No meu altar
e respirei
simplesmente respirei
sorvi e expeli o ar
Cheguei ao estado meditativo
a mente vazia
Meu olho então captou uma luz
e fiz uma viagem semelhante a esta:

terça-feira, 16 de março de 2010

Simples e complexamente EU


Eu nasci no outono, precisamente no mês de julho, na véspera do plenilúnio.
Chovia.
Sempre chove muito nesse dia. Meus aniversários, portanto, são sempre molhados, úmidos, meio tristes...
Sou regida pela água, uma água lunar, mas em ebulição por força de Marte.
Em tudo exacerbada essa água.
Se há tristeza, é profunda. Alegria é tresloucada. Amor, é desvario.
Se há guerra é carnificina.
Se há paz, é cósmica.
Porque sou assim – e me conheço bem – vou tratando de procurar nos meus excessos o que há de proveitoso, não vou de encontro à minha natureza. Isso não funciona.
Se sou lâmina, meu metal deve ser aperfeiçoado, moldado a partir da minha essência, do que eu sou.
Se sou barro, que seja amaciado e curvado, em côncavo, para abrigar minha alma aprendiz, mas ainda assim, minha própria alma.
Sempre fui o que sou, como a pedra levemente brilhante é talhada e burilada até o estado de diamante.
Serei um dia diamante, mas já sou diamante.
Sou nascida e bendita pelo manto negro da noite, coroado por nossa madrinha Lua, nossa outrora casa natal.
Sou mulher das águas, das marés cósmicas.
Simples e complexamente EU.

Trago notícias: é outono

 
Por aqui trago notícias...
As marés mudam novamente.
Os ventos agora trazem o cheiro do mar, 
vindos do noroeste, trazem também o Outono.
Para quem tem olhos e sensibilidade, o Nordeste também tem outono.
São as folhas que caem, os cheiros que mudam...
São os prenúncios das chuvas
E o adeus ao viril verão varão.

São as sementes maduras
o tempo da terra emprenhar
por aqui as marés mudam
em sua espiral infinita
e mesmo o que parece caos
é ordem
uma ordem maior e divina.

por Luciana Luz

sexta-feira, 12 de março de 2010


A essência de estar feliz muitas vezes dura o tempo de um por do sol de verão...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Encontro marcado


Mais um conto da série Contos Inacabados.
Veja os contos anteriores aqui


Em meio ao caos da metrópole, uma mão pequena e firme segurou o braço da moça.

Quando ela se virou assustada, temendo um assalto, deparou-se com uma cigana em trajes coloridos e olhar lúgubre.

Pôs na mão da moça um pedaço de papel e apertando ainda mais sua mão disse:

- Não é um convite, é um encontro marcado! – e fixando o olhos da garota saiu, misturando-se na multidão até sumir.

Depois do choque, a moça olhou perplexa para o pedaço de papel, no qual havia apenas um endereço, uma data e hora.

Algumas coisas estranhas já lhe acontecerem ao longo dos seus 30 anos, mas nada tão intrigante. Tanto que passou os dias seguintes a mirar o pequeno pedaço de papel, sem se resolver a jogá-lo no lixo.

A data marcada enfim chegou.

Foi um dia estranho. Não foi ao trabalho pois acordou muito tarde.

Isso raramente acontecia a ela.

Não saía da cabeça da moça a frase da cigana e ela voltava a mirar o pedaço de papel.
Tão perturbada ficou que, num impulso, resolveu tirar aquilo a limpo, comparecendo ao tal “encontro marcado”.

Tomou um taxi e foi ficando apreensiva vendo que o endereço levava-a para longe da cidade, tomando a estrada para alguns sítios e chácaras nos arredores.

Se deu conta, afinal, que devia ser uma festa cigana!

E era.

Foi recebida como se fosse ansiosamente esperada. A cigana que lhe havia dado o papel aproximou-se logo da moça e serviu-lhe um chá quente e doce.

- Este é o chá do amor – disse, com um sorriso estranho.

Várias pessoas dançavam ao redor de uma enorme fogueira, no centro do acampamento cigano.

Ela bebericava o chá, observando a sinuosa dança das saias rodadas, quando viu um homem junto às árvores, sozinho, olhando para ela.

Ele fez sinal para que a moça se aproximasse e ela, sentindo-se como num sonho estranho, viu-se rapidamente na sua frente.

As mulheres que dançavam não estavam mais ao redor da fogueira qando ele a levou pelo braço até lá.

O belo homem de cabelos negros presos num rabo de cavalo circulava o fogo com o corpo flexível, tocando com fúria alucinada e sensual seu velho violino.

A moça sentia uma frenética energia percorrendo-lhe o corpo e pôs-se a dançar.  No universo inteiro só existiam os dois e a cada rodada da sua saia novos mundos eram criados.

Dançou assim a moça até cair de cansaço e prazer.

Acordou nos braços da velha cigana que sorrindo lhe disse assim:

- Milha filha, que bom que vieste encontrar com Kingsohr! Ele muito a desejou!

A moça agora ainda mais confusa olhou-a sem nada entender.

 - Klingsohr, minha criança, é o Feiticeiro que, quando se reveste de matéria física, se apresenta no mundo dos humanos como um bonito cigano. Ele tem o dom do encantamento pela música, tocando seu violino mágico traz felicidade a quem  fez por merecer. Mas também pune caso seja necessário. 

- É um ser solitário - continuou falando a cigana - e vive a vagar pelas estradas, protegendo os viajantes em geral, mas principalmente nós, os ROMS, os ciganos, pois muito nos ama. Quando há uma festa em um acampamento cigano, ele sempre se aproxima, e quem tiver o poder da visão, por certo o verá a tocar seu violino mágico junto à fogueira. 

Por Luciana Luz
Baseado na lenda de Klingsohr.