terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sentimentos


Devia guardar seus sentimentos. Bem guardados. Sentimentos assustam.

Devia lembrar que as pessoas neste mundo estão acostumadas às máscaras frias de uma tragicomédia tão constante que se torna a única realidade possível. 

É preciso cuidado, cautela.

Ninguém quer que os sentimentos comandem o mundo em que impera a racionalidade, a assepsia, a luz ofuscante digital.  Não há tempo para isso. E quem se importa com isso?

Por isso devia guardar bem seus sentimentos. Deixe-os em casa, a rua é selvageria. Deixe-os num cofre, com segredo. Deixe-os embaixo do travesseiro.

Sentimentos assim não podem ser verbalizados. O verbo realiza. 

Devia deixar seus sentimentos enterrados onde houver ainda uma velha árvore. Lá, eles nutrirão as raízes, se perpetuarão incólumes. E a seiva o carregará para a copa, de onde sempre serão levados pelo vento, sussurrando ao ouvido de algum poeta, quem sabe um dia...

E nesse dia talvez ele escreva algo assim:

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
seu dorso frio é campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
sete esperanças na boca fresca!

Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania*.

*Vinícius de Moraes

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O astrólogo


 “Eu sou de Gêmeos. Sígno da constelação zodiacal...”
E danou-se a falar profusamente sobre os astros. Coisas que ele nunca ouvira em sua vida.
Mas vinham dela: as palavras, por certo; os gestos, tão belos; aquela boca, aquela voz, aquela pele...
“De que signo você é?” Perguntava a voz.
“Dizem que sou de peixes”. E tornara-se mudo até o fim. Já que nada conhecia do assunto e, nesses casos, impressiona mais o silêncio do bom ouvinte que a balela arriscada do Don Juan.
O fato é que daquele momento em diante empenhou-se em tornar-se exímio especialista na arte dos astros, nas linhas, quadraturas, triangulações. Nos aspectos favoráveis ou não de Saturno, de Plutão e da Deusa do Amor, Vênus. Leu o que pode em tempo recorde.
Queria impressioná-la para adentrar-lhe a alma de mulher misteriosa. O problema é que ao fim as longas conversas encerravam num simpático “legal conversar com você”.
E ele, sujeito solitário, ficava mais solitário ainda. Solidão que os livros cheios de mapas e cartas astrais não aplacavam. Lia e relia a palavra “astrologia”, lembrando como sua boca se movia ao falar. “És praticamente um astrólogo”.
ASTROLOGO. Ela dizia por dentro de um sorriso constante.
Mas a solidão não amainava com tais lembranças. E, pobre homem, soterrava o corpo e a alma numa agora confusa, difusa solidão, para além da solidão. Se é que isso é possível.
Se antes solitário, agora solitário ao extremo. Descobrira a existência da solidão de fato.
E ela dizia, com despropositada naturalidade “hoje não poderei conversar contigo, vou sair com meus amigos”.  E o que restava a ele era a consulta compulsiva dos astros, os cálculos. Quando não, ouvia música, fingia ler, com sofreguidão coisa nenhuma. Porque nada era ela. Nada nunca foi.
Até que depois de um dia vinha outro dia. E tabelas, e signos e aspectos planetários o levavam ao tesão. De tudo não tinha nada. Contemplava.  Muito.  E isso era tudo... ou nada.
Mas era sujeito persistente, estava em seu mapa astral. Tanto que ao fim de algumas rotações anuais já se poderia considerar um homem realizado: ao menos tornara-se excelente astrólogo!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Uma segunda chance




Dias de chuva são como lágrimas, lágrimas cósmicas se materializando.
Pensava sobre isso, a moça na janela. Cabelos molhados, depois do banho.
Mais água.
Nos olhos, no corpo, no mundo.
A moça pensava nele. Sempre pensava nele. Em como, agora, diante da chuva batendo na janela, podia-se crer numa segunda chance. Um amor tão grande merecia isso.
Merece.
Ele havia corrido até ela, assim, num dia de tristeza cósmica. Fluindo rios do céu, caindo e correndo pelo asfalto. Levando seus pés até ela. Magnética e perigosamente até ela.
Uma segunda chance.
Debaixo da marquise, esperaram a tristeza passar. Mas não estiava. Nunca. Ele segurou sua mão, molhados. Água nos cabelos, nos olhos, no corpo, no céu. Implorou, chorou pela segunda chance.
Suas lágrimas em meio ao cosmos tristonho daquele dia...
Uma segunda chance pode vir com um toque de campainha.   
Agora.
Abre-se novamente a porta e lá está: o abismo.
Sem medo se deve pular. Com toda a alma, pular.   
Para uma segunda chance, afinal quem pode ter medo da chuva?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Cartas não têm você


Chegavam cartas, todos os dias. Às vezes duas no mesmo dia.
Palavras.
Tão profundas, encrustadas na bela pedra prosaica. As linhas em branco gritando coisas fortes.
Como eu queria...
Como eu te...
Aqui faz frio, ainda é dia. E as cartas se repetindo na eternidade dos instantes.
Recebia-as todos os dias, cumprimentando o carteiro com ar sonolento, cabelo desgrenhado, loucura feroz. O carteiro sempre com piadinhas sobre tantas cartas e tão pouco sono...
E as palavras pulando da folha bela e distante. Falando sobre coisas boas, tornando insuportável sua própria existência.
Como seria bom você aqui... gosto de ti.
As cartas lembram as músicas, as músicas às cartas. Palavras vivas, tão profundas, encrustadas nos gemidos mudos. Reverberando noite a dentro, pelo cofre frio da distância.
E tantas linhas em branco gritando coisas fortes.
Cartas não têm toque, não tem cheiro, não tem você...

sábado, 20 de novembro de 2010

Minha avó Dalva


Hoje lembrei-me da minha avó.
Alíás, observando bem, as noites de Lua têm muito a ver com isso.
Minha avó era uma amante da noite e da Lua.
Tinha lá tantos mistérios aquela doce senhora. Com seus braços gordinhos, que me puxavam com terna energia, eu garota tímida, vinda da capital.
Apertava-me contra seu corpo macio. Cheiro de natureza, de Terra Mãe. Dizem que o planeta Terra é nossa mãe, mas é a Lua nossa avó. Minha avó, como uma estrela, chamava-se Dalva em toda sua constelação.
"Veja alí eu planto alecrim e artemísia", dizia ela, apontando o grande canteiro do quintal, no idos de um tempo perdido. "Planto tudo que me dão, as pessoas sempre me dão mudas, minha filha."
E me iniciava na mística vegetal de um matriarcado camuflado. A submissão sendo sub-repticiamente burlada pela mistura inocente de ervas e água. "Acalma, a alfazema alcama qualquer homem brabo". E dava uma gargalhada gostosa, a qual dela herdei, assim como essa juba de leonina.

Sinto saudade doída da minha vó Dalva, meio mística, meio bruxa, doce. Madrinha.
E quando a saudade é insuportável, quando meu coração está frágil, ela vem. Com a brisa na janela, com um cheiro de alfazema a me tocar:
"Ser feliz é arriscar-se. Melhor mergulhar no sonho e talvez acordar, do que nunca sonhar."

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Absurdo sentido


Lua Cheia. Tudo faz absurdo sentido.

Ela olha o céu. Esse tempo suspenso, essa maré alta...

Faz sentido a loucura. Sim, as vezes a loucura pode ser ótima conselheira.
A moça aprendera a ser ouvinte atenta.

Uma coruja branca emite um grito, diz Destino!
Por que lutar, agora que tudo se enredou? A teia, o fio, a história...

A moça acende as velas, corta o pão, serve o vinho, pensa nele.
A lua sorri.

Nua.
O vento cálido do verão revolta a natureza, atiça a pele alva.
Revolução da natureza interna. Força idomável que só os familiarizados podem compreender.
Uma sina isso?
Para quê tanto sentir?
A moça faz as saudações: bençãos.

Presenças.

A noite cai escorregando por entre os véus do Mistério. Um sussurro traz a certeza.
Mais uma vez.
Fala a Lua, fala a Ave, fala o espírito das coisas.

A moça encerra a poesia, apagando as velas, comendo o pão, bebendo o vinho.
Em honra ao amor, ao sexo, à vida.

Ah a vida e suas marés...

Desce a cortina escura, salpicada de estrelas.
Volta ao que os tolos chamam realidade.
Resta apenas esse absurdo sentido.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

É só você também querer


Tarde de domingo. 
Daquelas feitas de céu violáceo, altíssimo, indiferente céu que do alto mira os mortais.
Uma mesa do canto, a mais discreta. Um casal.
Ela, olhar desesperado. Ele, irritação. 
Há tempos não havia mais cartas, não havia mais mão na mão. Nem beijo roubado, nem sorrisos cúmplices, nem madrugadas claras.
Restara a solidão da mesa discreta, onde dois não são mais um. 

- Porque tudo mudou? - ele disparou, batendo na mesa.
Ela desviou o olhar. 
- Quem pode saber. - Não há culpados, nem para os começos nem para os fins.
O garçon se aproxima, não gosta mais de ver casais, pois o fazem lembrar-se do que não viveu, por medo.
- Café? Cardápio? Quando decidirem eu volto...
- Podemos tentar... - ele tentou.
- As coisas não são assim... - disse ela, rodeando com o dedo a boca da taça, como se fosse um universo.
Ele exitou por um instante, era a hora da frase tantas vezes ensaiada, fruto do desarme da razão:
- As coisas podem ser como quisermos... é só você também querer.

O universo de súbito tomou forma, se expandiu. Ela mirou para além de tudo aquilo que passou. Mirou o espaço, mediu o tempo, tomou o fio das mãos das Moiras. 
Podemos mudar, mudar pra valer.
A mesa, no canto, tudo ao redor se diluiu num turbilhão. Os olhos dela, os olhos dele. Comunicação para além das palavras. Revolução. Resolução.

O garçon volta à mesa do casal, aquele que nada pediu, para saber o que vão querer.
Mas lá não estão. Resta apenas uma taça quebrada e um bilhete escrito às pressas num guardanapo:

"Desculpe pela taça. Não pagaremos. Universos desfazem-se a toda hora. Mas sempre podemos recomeçar em outro lugar, em outro tempo. É só você também querer".

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Pra Você Guardei O Amor


Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer

Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris

Risca ao levitar
Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer

Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz

No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

NANDO REIS

EU, pra você, ONDE QUER QUE ESTEJA...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Hoje fiz um passeio socrático

Fui ao Shoping hoje, onde se encontra o cinema, onde eu assitiria um filme. Mas, quando lá cheguei, por volta das 15h, tive aquela mesma sensação que sempre tenho quando vou a um shopping lotado: tédio, um tédio mortal. Como ando sem tempo para postar por aqui, e peço aos meus leitores que tenham paciência, pois estou finalizando a tese, deixarei o ilustre Frei Beto falar por mim. Seu texto diz absolutamente tudo do sentimento que vem me tomando cada vez mais... será a idade?

PASSEIO SOCRÁTICO
Frei  Betto
 
 Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do  Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares,  preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já  haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois  modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à  aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...'. 'Que tanta coisa?', perguntei... . 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual... Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento' . Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, ­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem se desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor.. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades,  auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há  mendigos, crianças de rua, sujeira pelas  calçadas...

Entra-se naqueles claustros  ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos  de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito,  entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno.... Felizmente, terminam todos na  eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo  hambúrguer do Mc Donalds...

Costumo  advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro  comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"
 

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Crônica de Carlos Drummond de Andrade


"Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado sob a lua. Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura. É o movimento civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e que não carece de suplemento de informação. Livros e papéis, beneficiam-se com a sua presteza austera. Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual".

Isto acontece aqui com freqüência....