sábado, 16 de abril de 2011

Onda e pedra


Noite. Mar escuro e profundo.
Onde Ode Onda Prata.
Estrela estrale na pedra negra
Seu corpo de água
Fluida corrente, força compacta,
Espuma macia...

Onde quebra a pedra.
Onde a onda bate.

Corpo sem forma,
deformAção.
Não há pedra que não quebra.

Sob a minaAção,
minando, obtém
forma onde forma onda.
Beija a pedra que se quebra
Ante o poder do não poder.

Correm nos meus dedos longos,
em versos tristes que invento...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Minha estranha capacidade de me apaixonar



Caros leitores, vocês estão acostumados às minhas crônicas e poesias por aqui, mas hoje vou falar um pouco das paixões.
Estou apaixonada. Certo, logo vocês pensarão que me refiro a um caso amoroso, não é isso?
Sim e não.
O fato é que descobri há algum tempo uma capacidade muito esquisita que tenho: apaixono-me pelas pessoas muito facilmente. Até aí tudo bem, mas e se eu disser que me apaixono por várias ao mesmo tempo? E seu eu disser que essas pessoas (homens, mais claramente), me fascinam por motivos os mais variados?
Um modo de falar, o humor, a inteligência. A beleza, claro, mas nem sempre. Um jeito delicado ou tímido de se aproximar. Uma vez me vi apaixonada por causa da energia, muito forte, que um rapaz passou ao tocar meu braço. Paixões que vão e vem na mesma disparada rapidez. Agora, leio o texto de um aluno e estou apaixonada.
Acho que é um dom, na bruxaria chamam de empatia, talvez seja isso. Empatia é mais que simpatia. Sinto como uma atmosfera, a atmosfera do rapaz, sua vida, seu modo de falar, seu humor refinado, todo um conjunto de sensações, como ondas, me atravessam. Outro, não aluno, mas professor, tem olhos doces, verdes. Fixam em mim com insistência tal que posso sentir seus pensamentos. Deixa na pele uma sensação de corrente elétrica. Apaixonei-me também pela fragilidade de um homem. Sinto toda a carga de tristeza que há nele, na vida que teve até agora. Na dor profunda que carrega, mas não quer dividir comigo... fica na mente a sensação do mistério... Noutro, não há dissimulação nenhuma, declarou com firmeza suas intenções. Gosto da franqueza dele. Paixões...
Quem já se deixou tocar pela onda macia e quente da maré cheia, pode imaginar melhor essas sensações que me envolvem. Levantam um pouco do chão, carregam docemente ao universo alheio.  Eu me deixo levar por elas, fascinada. Sou fraca para paixões.

sábado, 9 de abril de 2011

Lavanda



Um campo violeta
Esmaecido violeta violento das passagens
Plantação de lavanda
Colorindo seus olhos claros.

“Por favor, olhe para mim” - doía.

Plácido campo movendo-se suavemente
O que comanda a maré das coisas?

“Não quero olhar, porque quero demais” - dói ainda mais.

Seu perfume, lavanda, quem te deu esse direito?
Plácidas dançarinas, indiferentes.
Lembram-me teu jeito, tua suavidade.

“Olhe pra mim” - a iminência da mudança.
O que devo esperar?

Fico lembrando teu beijo
Deixo ficar assim...
Suave como esses campos de lavanda.

domingo, 27 de março de 2011

A grande aventura


Já havia decidido: essa coisa de amor não serve mais. Só leva a infelicidade e decepções. Ela sempre estivera com o coração na mão, oferecendo-o, como se fosse um artigo barato. O amor é uma  dessas coisas que nos prendem a um círculo vicioso de paixões – especialmente de paixões por homens! – que ela deixaria para trás. Era o ponto final.
Organizou tudo. Vendeu a casa e o carro. Comprou uma mochila. Sairia pelo mundo, para encontrar a grande aventura espiritual, libertadora e que daria sentido à sua vida. Na bagagem tão simples levaria apenas o fundamental. Que fosse prático e leve o suficiente, leve como deveria estar seu peito. Estava tudo muito bem traçado, mapas e direções.
Seguindo o roteiro cuidadosamente planejado, ela jogou a mochila nas costas e tomou um taxi para o aeroporto. Finalmente daria o primeiro passo rumo à grande aventura, viveria as experiências transpessoais, evolutivas, espirituais, no caminho da evolução. Seria com certeza uma pessoa melhor!
Dirigiu-se ao balcão da companhia e, assim que se posicionou na fila, ouviu alguém chamando desesperadamente seu nome. Em meio a uma confusão, ela viu que ele corria por entre as pessoas e seus carrinhos de bagagens. Ele gritava seu nome com lágrimas nos olhos, achando que não daria mais tempo de dizer a ela tudo que não havia dito aqueles anos todos. Ao vê-lo, a moça compreendeu a essência das coisas, teve o maior e inesperado choque possível a alguém tão decidido: soube imediatamente que a grande aventura, cheia de experiências que fariam dela uma pessoa melhor, nunca estivera lá fora, em algum lugar, esperando por ela. Mas sim que sempre viria até ela, correndo e chamando seu nome, e estaria onde ela estivesse. E que o amor era a única coisa que não poderia faltar na sua bagagem, fosse ela uma mala ou uma simples mochila.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O feitiço entorpecente da palavra



Maleáveis, labirínticas e singelas as palavras desse feitiço. Profanas exclamações hipnotizantes.
Compor. Tecer. Reagrupar.
Em desarmonia perfeita, reverto a seqüência lógica. Forço a cristalização clara das palavras desse feitiço.
O mundo é forma.
Toco a essência íntima e fértil que pulsa.
Criar. Moldar. Encarnar.
Chego ao ponto que une as partes. Leitura diagramada irreal das palavras desse feitiço.
Cruzar. Mimetizar. Falar.
Declamo com os pássaros na Língua Antiga. Ziiiiibilosa partícula, meu centro.
Maleáveis, labirínticas e singelas palavras desse feitiço. Gotejando sons hipnotizantes.
Um glamour. Um disfarce. Uma máscara mágica.
O mundo é forma.
Eu centro e partícula. Fertilizando outras mentes de palavras/essências.
Deixo o som a reverberar...

sábado, 19 de março de 2011

A carga da Deusa

 
Também chamado de “O chamado da deusa”, “Os encargos da Deusa”, “O papel da Deusa” e “Exortação da Deusa”, foi escrito originalmente por Gerald Gardner em 1949, inspirado nos textos de Charles G. Leland em seu livro “Aradia”. Anos mais tarde, Doreen Valiente, iniciada por Gardner, reescreveu a versão que ficou mundialmente famosa.
Ouçam as palavras da Grande Mãe, que, em tempos idos, era chamada de Ártemis, Astartéia, Dione, Melusiana, Afrodite, Ceridwen, Diana, Arionrhod, Brígida e por muitos outros nomes:
Quando necessitar de alguma coisa, uma vez no mês, e é melhor que seja quando a lua estiver cheia, deverá reunir-se em algum local secreto e adorar o meu espírito que é a rainha de todos os sábios. Você estará livre da escravidão e, como um sinal de sua liberdade, apresentar-se-á nu em seus ritos. Cante, festeje, dance, faça música e amor, todos em minha presença, pois meu é o êxtase do espírito e minha também é a alegria sobre a terra. Pois minha lei é a do amor para todos os seres. Meu é o segredo que abre a porta da juventude e minha é a taça do vinho da vida, que é o caldeirão de Ceridwen, que é o gral sagrado da imortalidade. Eu concedo a sabedoria do espírito eterno e, além da morte, dou a paz e a liberdade e o reencontro com aqueles que se foram antes. Nem tampouco exijo algum tipo de sacrifício, pois saiba, eu sou a mãe de todas as coisa e meu amor é derramado sobre a terra.
Atente para as palavras da Deusa estelar, o pó de cujos pés abrigam-se o sol, a lua, as estrelas, os anjos, e cujo corpo envolve o universo:
Eu que sou a beleza da terra verde e da lua branca entre as estrelas e os mistérios da água, invoco seu espírito para que desperte e venha até a mim. Pois eu sou o espírito da natureza que dá vida ao universo. De mim todas as coisa vêm e pra mim todas devem retornar. Que a adoração a mim esteja no coração que rejubila, pois, saiba, todos os atos de amor e prazer são meus rituais. Que haja beleza e força, poder e compaixão, honra e humildade, júbilo e reverência, dentro de você. E você que busca conhecer-me, saiba que sua procura e ânsia serão em vão, a menos que você conheça os mistérios: pois se aquilo que busca não se encontrar dentro de você, nunca o achará fora de si. Saiba, pois, eu estou com você desde o início dos tempos, e eu sou aquela que é alcançada ao fim do desejo.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Quando falas


Falas Luciana
E parece que uma delicada flor vem planando
no ar
E, de leve pousa no meu colo

Falas Luciana
E está delicadeza pousa nos meu lábios
fluida como um rio

Com suavidade
Falas Luciana
E sinto envolver-me uma lareira acolhedora,
mesmo que tudo pareça frio

E se ainda,
Falas Luciana
Com uma dor gostosa,
sinto a paz do caminho de onde vêem tantas delicadas flores.

sábado, 12 de março de 2011

Gatos e polegares opositores

O sacrifício do momento

À captura de um momento,
aquele instante que muda tudo.
ela tocou em seu braço, sorriu.
Houve um silêncio, um absoluto silêncio, antes do mergulho.

À procura do lance de dados,
a jogada certa. A sorte boa, no giro da roda.
Mais silêncio. Uma cortada.
Cartas não mentem, nem olhos...

O transcendental dia-a-dia.
À espera, resoluta.
Na captura, o momento é sacrificado em honra aos mortos.
Nada faz sentido. Tudo se encaixa perfeitamente.

Súbito, horrenda calma. Consciência!
Um grito esquecido na gaveta da cômoda, por trás do trinco da porta.

Ela procura de novo o braço dele, o toque, um mísero olhar.
Que seja...
À espera, continua...
O momento se estira e se derrete como o relógio do poeta e do louco.
A loucura das horas.

Nada (tic)
Tudo (tac)
...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Oração da Mulher Sagrada



"Sagrada Força Feminina te saúdo e sinto tua presença se manifestando em meu Ser
Através de meus pensamentos, palavras e ações
Deixo que a Divina Presença da Mãe Cósmica me oriente com sua infinita sabedoria
Ela está chegando, sinto sua Dança!
Ela está falando, ouço sua canção de Amor!
Ela está dentro e fora nas coisas mais simples e por isso perfeitas
E seu templo sagrado é meu corpo de Mulher
Seu pensamento agora é meu pensamento
E só penso em Amor,
Só sinto Amor
E só vejo Amor
O mundo que percebo é fruto da minha percepção de Amor
E assim crio a minha realidade
Abençôo meu dia e honro minha Deusa de mil nomes
E assim crio a magia que me ilumina e protege
Saúdo a noite e honro minha Mãe Lua, suas sagradas fases comandam meu corpo de mulher
E assim me preservo saudável e com meus ciclos femininos em perfeita harmonia.
Saúdo a Incognoscível, e assim honro e preservo meu poder oculto.
Saúdo as Forças da Natureza para que a Mãe Terra me proteja
E me oriente no Norte, no Sul, no Leste e no Oeste.
Honro a terra onde piso, a água que bebo e o meu alimento,
Pois sei que tudo que fizer a esta Terra voltará para mim e para meus descendentes.
E assim me conecto ao coração de Gaia e a sua proteção maternal.
A Deusa cuida do meu corpo e da minha alma
E assim estou em perfeita sincronia com o Universo
Do meu coração flui seus ensinamentos, suas palavras de sabedoria e sua força infinita
E assim realizo minha divindade humana
Em minha alma o Sagrado Feminino e o Sagrado Masculino se uniram em Amor e Êxtase
E assim descobri o equilíbrio onde o ser humano deve estar
Todo o Amor que nutre minha existência vem da Fonte Divina
Por isso não preciso que nenhum ser humano o faça por mim
A Deusa abençoa meu corpo com seus sagrados encantos
E assim a beleza da minha Alma se reflete em meu corpo feminino
Da minha mente fluem os pensamentos e a criatividade
que fazem minha existência ser especial e singular
E assim realizo minha vocação maior
Preservo meu coração limpo e leve como uma pena
E assim me permito ser livre e feliz para sempre
E que Assim Seja, porque Assim É"

Por Carla Lampert.