Para saber mais sobre os protestos contra a atual prefeita de Natal (RN) e as reivindicações do movimento Foramicarla vá aqui.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
De instantes de terças
Ele enxugou a lágrima que escorria lentamente do rosto delicado dela. Apesar de tudo, do fim acertado, um sorriso. Como ele gostava daquela boca bonita, sensual, sorrindo... Ela era doce, voz suave, olhos vivos. Estavam os dois assim: mergulho num abismo macio e envolvente.
Um bar. Uma mesa. Luz quente banhando de suavidade a cena.
Todos os detalhes ampliados pelo instante único e eterno da terça. Chuva. Vento. Trânsito, como a música de esferas múltiplas a se chocarem. As vozes, apenas pano de fundo.
Só existia ela, só existia ele.
A poesia dela era só para ele. Assim também o riso e o choro. Um certo teor alcoólico no beijo inesperado. Tão desejado e evitado. Um beijo e as armas da racionalidade se vão. Mero impulso e instantes irreversíveis. E o álcool traz a tona verdades loucas, pensamentos que não deviam escapar, escorrer macios da mente à língua.
Da língua à boca. Da boca à boca. Da boca à pele. Da pele à pele.
E a chuva.
E a noite.
E a terça que só ela e ele sabem...
E a licença poética permite que se ouçam ao fundo as palavras de Neruda:
Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em Natal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Bagé,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos*.
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em Natal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Bagé,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos*.
* Adaptado do original.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Carta aberta ao amor de ontem
Eu sei que você acordou no meio da madrugada. Confuso. Perdido.
Que você ficou parado, ouvindo o silêncio do quarto que não é seu, do mundo que você não quer, no silêncio da noite que dormia. Até ela, em paz. Mas você não. Tantas coisas pra pensar... Tantas decisões para tormar. E rostos que te sorriem, e faces falsas, todas ao mesmo tempo, se repetindo. Mas foi meu nome, meu cheiro, meu jeito doce que, por fim, ficou. O meu amor é como uma âncora em meio a essa tempestade. Meu amor de ontem.
Eu te amo.
Apesar e por causa de tudo.
Vou permancer te amando, mesmo que a maré da vida mude e a correnteza dê um rumo diferente para nós. Você vai permancer no meu coração, apesar de todos os nãos.
E, como um sonho bom também nos acorda na madrugada, espero que sejamos essa parada no silêncio do mundo. Talvez deixemos que outra chuva repita o amor da terça, que foi o mais belo que já tive.
Que guardei e resguardei das palavras, pois elas simplificam, reduzem, empobrecem.
Que o vento leve, que a chuva lave, que o tempo passe...
Eu sou quieta, eu sou delicada. Minha fúria é defesa, sempre.
Tenho permanecido observando as marés da vida fluirem e refluirem...
Tenho tentando aprender a ficar no olho do furacão da vida.
Aprendendo que às vezes "eu te amo" quer dizer "somos amigos". Tão banalizadas as três palavrinhas, tão difícil não perder a esperança...
segunda-feira, 30 de maio de 2011
As manifestações continuam!
Próxima manifestação do RioGrevedoNorte: quarta feira, dia 1 de junho, no Largo do Machadão às 18h. Veja mais no facebook PARALISAR NATAL!
e aqui: Foramicarla
Fora Micarla! Vamos exercer nosso direito!
e aqui: Foramicarla
Fora Micarla! Vamos exercer nosso direito!
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Unidos podemos mudar as coisas
Tribuna do Norte registra o protesto em frente ao Shopping Midwei Mall confiram aqui
Valeu gente! Unidos podemos mais!
Valeu gente! Unidos podemos mais!
terça-feira, 24 de maio de 2011
RioGrevedoNorte
Amigos natalenses e norteriograndenses leitores desse blog, nesta quarta 25 de maio a população de Natal, Rio Grande do Norte, realizará uma manifestação em frente ao shopping Midwei Mall. Junte-se a nós por uma Natal e um Rio Grande do Norte mais comprometido com seus cidadãos. Estão em greve no momento aqui no Estado, a POLÍCIA CIVIL, OS PROFESSORES MUNICIPAIS, OS MOTORISTAS DE ÔNIBUS, OS MÉDICOS e OS FUNCIONÁRIOS DO DETRAN!
Entrem na comunidade do Facebook RioGrevedoNorte EU APOIO a manifestação!
e se informem melhor, divulguem, pariticpem. Vamos paralisar Natal!
Apenas uma menina
Podia chamar-se Maria, se se quisesse, pouco importava. Ou Madalena. Ou Hipatia. Talvez enganassem alguns, fazendo-lhes crer outra coisa além do que ela era, internamente, aqueles seus cabelos vermelhos e olhos penetrantes. Mas era uma solitária de hábitos um tanto estranhos. Os outros a temiam em algum grau, essa Maria tão menina. Assumida menina, assumida em seus sentimentos.
Amanhecia o dia, chuvoso ou com sol, de lua, de primavera ou de verão, sempre do mesmo modo: coberta do lado, despertador de luz, corredor, xixi e chaleira a chiar. Os cabelos revoltos mais vermelhos refletindo o lume, como suas ancestrais em tempos idos. O fogo que transforma, que cozinha, que aquece.
Bebia o café ali mesmo em pé, junto a pedra do fogão, uma perna dobrada, se apoiando na outra...
Às vezes acontecia, sem que ela quisesse ou planejasse, como nesse dia: uma visão.
De súbito e alheia a sua vontade, ficou parada, olhos fixos, vidrados na chícara de café. Um redemoinho brilhante e negro, girando, girando, girando... E viu um rosto, um destino, uma resolução. Os sons do mundo ainda acordando, distantes, sem sentido, sem espaço, sem tempo. E uma resposta veio. Clara, objetiva.
E num segundo seguinte, dado que não se mede em tempo humano, voltou. Foi o roçar do corpo do gato, a porta que bateu com o repentino vento gelado. E o café esfriou. E ela não acreditou na resposta. Não sabia o porquê, talvez fosse melhor não acreditar. Oráculos davam-lhe falsas esperanças? Magia causava dor?
Preferia ser Maria menina. Menina somente, a atitude inocente. Talvez a melhor atitude...E deixar que o tempo batesse à sua porta com um sorriso benevolente, trazendo-lhe a resposta. Pessoalmente.
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domingo, 22 de maio de 2011
Poesia alcoólica
Poesias feitas tarde da noite, depois que chego com certo grau de álcool na alma, são as melhores. Eis a etílica de hoje, espero que gostem. Não tem título, isso é coisa de burgês:
Eu já gostei de recitar poemas
artigo indefinido
verbo intransitivo
Recitei tanto que amei
pretérito imperfeito
sempre primeira pessoa
do singular "Eu"
Amei por bom tempo
sozinha
pronunciando o gerúndio do fim
Gostei de ti
sujeito oculto
uma dessas virtualidades
do que acham pós-modernidade
E, no fim
Amor é um verbo simples
que prefiro prenunciar
no plural de um outro tempo
com profundidade verbal.
Eu já gostei de recitar poemas
artigo indefinido
verbo intransitivo
Recitei tanto que amei
pretérito imperfeito
sempre primeira pessoa
do singular "Eu"
Amei por bom tempo
sozinha
pronunciando o gerúndio do fim
Gostei de ti
sujeito oculto
uma dessas virtualidades
do que acham pós-modernidade
E, no fim
Amor é um verbo simples
que prefiro prenunciar
no plural de um outro tempo
com profundidade verbal.
sábado, 21 de maio de 2011
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