quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Só um sonho


Não houve o encontro em meio ao tempo e espaço, num dos bancos do bosque. Não se viram pelo brilho do olhar de desejo, na noite que se iniciava. Nunca existiu aquela noite cheia de carícias e beijos quentes. Suas mãos nunca exploraram a força do desejo manifestando-se nos corpos. Jamais suas línguas falaram como as ondas mornas quebrando na praia, numa noite quente de verão. Nem o roçar dos lábios e os suspiros profundos, nunca nada disso encheu o ar de eletricidade, naquele lugar inexistente.
- Nós nunca nos encontramos né?
- Nunca. Isso não passa de um sonho.
- Exato. Não sinto seu perfume, nem seu gosto.
- Meu corpo não está colado no seu, nem se arrepia quando sente teu desejo por mim.
- Nem o meu quer entrar no seu.

Como não existiu esse momento, nunca se desejaram, nem marcaram de se ver sorrateiramente, tendo as árvores como únicas testemunhas. Nem saíram de mãos dadas e olhares cúmplices. Tudo devaneio, tudo só um sonho...

E-books Aleister Crowley

Todos os livros do Aleister Crowley para baixar aqui

Essa é para calar e pensar...


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Bruxas e mulheres sábias: as de fora.

O texto abaixo foi extraído e adaptado da minha tese de doutorado: Teodora e Porcina: faces simbólicas da natureza em narrativas de mulheres sábias.


A aversão à mulher e ao feminino, com todo o universo estranho que os rodeia, tem sido a fonte dos maiores mal-entendidos no campo da Bruxaria. O temor ao desconhecido foi transferido, em muitos momentos críticos em que a Bruxaria saiu das sombras, para a figura da bruxa ou feiticeira. Em geral a mulher sábia dos povoados, a curandeira ou parteira, aquela que sabia fazer os filtros e as poções, era a ponte entre o mundo da matéria e o mundo feérico, entendida portanto, como fonte de todo o mal que pudesse atingir àquela sociedade, pois era ela personificação do desregramento. A bruxa é entendida, nessa lógica, como parceira do mal maior, do maior dos desordenadores, o próprio Diabo. A demonização das mulheres sábias aparece claramente nas confissões extraídas sob tortura pelos inquisidores, que dirigiam as falas dos inquiridos para um imaginário onde imperavam a prática do sabá e a adoração ao Diabo. Quando, na verdade, o que gerou os primeiros inquéritos foram as práticas e crenças agrárias ou fúnebres de herança pagã que, por ocasião da imposição da Igreja Católica, tornou-se ameaça a ser eliminada.

Guinzburg (1988), entre outros estudiosos da inquisição, constataram surpresos que as práticas dos bruxos (no caso dos Benandanti, bruxos de uma região da Itália), nada tinham a ver com o sabá e o Diabo ou qualquer demônio. “[...] quando nos dedicamos a examinar os ritos que os benandanti afirmavam realizar nos seus encontros noturnos, toda a analogia com o sabá desaparece” (1988, p. 42). Porque, de fato, as práticas dos Benandanti mais se aproximavam das viagens xamânicas. Suas crenças parecem, como mostra Guinzburg, pertencerem quase que absolutamente às camadas populares, diferentemente do que se denominou de magia ou magia natural (tratados de magia natural), as quais acabaram tomando formas mais eruditas.

De modo que, regidos por seus tratados de demonologia, os inquisidores do Santo Ofício, se viam perplexos diante de depoimentos que falavam das batalhas noturnas dos Benandanti com os feiticeiros. Como os inquisidores poderiam condenar uma mulher por lutar com os feiticeiros (seus supostos adversários) em defesa dos campos e da colheita farta? Os interrogatórios, que começavam brandamente, ganhavam contornos maléficos quando os inquisidores faziam questionamentos diretivos sobre a presença do Diabo. Se ele guiava os Benandanti, e se havia locais onde se reuniam para banquetear-se, em sugestão ao Sabá.  Enredados pelo medo, os acusados acabavam por incluir em suas falas esses aspectos, que rendiam aos inquisidores um sentido e um modo de punição lógico e correspondente aos seus tratados. E concluíam os inquéritos com confissões de adoração ao Diabo e orgias noturnas obtidas por meio da tortura.

[...] Há, nas perguntas dos juízes, alusões mais que evidentes ao sabat das bruxas – que era, segundo os demonologistas, o verdadeiro cerne da feitiçaria: quando assim acontecia, os réus repetiam mais ou menos espontaneamente os estereótipos inquisitoriais então divulgados na Europa pela boca de pregadores, teólogos, juristas, etc (GINZBURG, 1991, p. 206).

Muitas dessas bruxas eram, na verdade, mulheres que de um modo ou de outro exerciam práticas fora da norma. Como se acreditava que elas possuíam capacidades estranhas, como curar, prever o futuro, falar com os mortos, voar em espírito pelos campos, conhecer o uso das ervas, as pessoas procuravam-nas, mas também tinham medo delas. Essas mulheres eram operadoras do Saber Mágico, pois pertenciam ao limiar entre o dentro e o fora, o mundo humano e o sobrenatural. Eram as “mulheres de fora”, chamadas na Sisília de donne di fuori, objeto de estudo de Gustav Henningsen (1990), entendidas como situadas entre a fada e a bruxa, que tinham a capacidade de curar os doentes, de identificar os malefícios e os anular.

As donne di fuori eram consideradas pela população figuras mágicas benevolentes, cujos traços se situavam na fronteira entre o universo do sabá, da mitologia clássica e dos contos maravilhosos: elas se organizavam em companhias e se reuniam em assembléias noturnas em que o demônio não estaria presente; eram descritas como belas mulheres vestidas de branco ou de negro, mulheres cuja origem sobrenatural era sublinhada pela cauda ou por patas de animais. A Inquisição da Sicília ocupou-se de dezenas de mulheres assimiladas a essa figura mítica, acusando-as de bruxaria (BETHENCOURT, 2004, p. 22)[1].

Portanto, os relatos de reuniões ou assembleias de bruxas estão, em alguns momentos, relacionadas ao sabá, mas não ao Diabo. Já mais tardiamente, as procissões das bruxas e dos mortos, os voos, as poções e o próprio sabá, com a presença marcante do demônio, consolidaram todo um imaginário da bruxaria demoníaca em grande parte da Europa. Mas, o que estudiosos como Guinzburg, Henningsen e Bethencourt, entre outros, vão demonstrar, ao enfocar determinadas comunidades isoladas ou ainda não afetadas por esse imaginário, é que as práticas e crenças das bruxas se relacionam muito mais ao xamanismo. Ou, em alguns casos, essencialmente às velhas e tradicionais crenças pagãs. Ou seja, mais próximas das histórias orais e das narrativas tradicionais onde há a presença marcante do universo mágico ligado à Mulher Sábia, seja como bruxa, fada ou ser da natureza, cujo principal atributo é transitar entre o mundo de fora e o de dentro. E, por esse acesso, portar a capacidade de curar, falar com os mortos, prever o futuro, ou conhecer as marés astrológicas e uso das pedras e dos elementos.

BETHENCOURT, Francisco. O imaginário da magia: feiticeiras, adivinhos e curandeiros em Portugal no século XVI. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição. Trad. Maria Betânia Amoroso. São Paulo: Companhia das letras, 2006.
GINZBURG, Carlo. Os andarilhos do bem: feitiçarias e cultos agrários nos séculos XVI e XVII. Trad. Jônas Batista Neto. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.
GINZBURG, Carlo. História noturna: decifrando o sabá. Trad. Nilson Moulin Louzada. São Paulo: Cia. das Letras, 1991.
HENNINGSEN, Gustav. The ladies from Outside: An Archaic pattern of the witche's sabbath. Early modern European witchcraft Oxford, 1990.





[1] Grifo meu.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Semeando o bem

Divulgo com prazer projetos como esse! Vamos ajudar!




Projeto da UFRN que visa plantar 20.000 árvores em Natal
será lançado dia 18/10, às 18 horas, durante a CIENTEC.

 COMPAREÇA - AJUDE A DISSEMINAR A CONSCIÊNCIA AMBIENTAL NA CIDADE
AGIR ENQUANTO O CAPITAL NÃO NOS DESTRÓI
Durante e XVII CIENTEC, feira de ciência e tecnologia organizada anualmente pela UFRN e que atrai a cada edição milhares de estudantes e professores das escolas públicas e privadas, será lançado o Projeto de Educação Ambiental Plante Enquanto é Tempo. A ação prevê conseguir 20.000 voluntários tutores de novas árvores em Natal, que plantem e cuidem delas nos primeiros anos, começando pelos alunos da UFRN e dos colégios da Grande Natal. O progresso do projeto será aferido através de contagem em tempo real no site da ação. Com o sucesso da primeira fase em Natal, a idéia é avançar para reflorestar o semi-árido de forma massiva. 
O projeto, coordenado pelos professores Robério Paulino, do Departamento de Políticas Públicas - DPP, e pela professora Rosângela Gondim, do Departamento de Botânica, Ecologia e Zoologia - DBEZ, é uma parceria do Centro de Ciências Humanas Letras e Artes - CCHLA e do Centro de Biociências - CB. A ação pretende criar uma grande onda de conscientização ambiental nas cidades e ao mesmo tempo contribuir para alterar a paisagem urbana em Natal e arredores, já que considera errado o atual modelo de expansão imobiliária e de mobilidade urbana centrado no automóvel. Modelo, este, que vem esquentando a cidade e prejudicando a qualidade de vida dos seus habitantes.   
Para a execução do projeto, já foram produzidas na própria UFRN milhares de mudas. Várias ações já foram realizadas, com crianças de colégios e em praças.
O lançamento oficial ocorrerá no dia 18/10/2011, terça-feira, às 18 horas, na tenda do projeto instalada dentro da CIENTEC 2011, ao lado do Planetário.

COMPAREÇA E AJUDE A DIVULGAR   

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O que as folhas dizem



Tenho caminhado por esse jardim antigo...
Com meus pés nus na terra fria.
Esperando por ti.
Como as folhas caem lentamente no outono,
Caem meus sonhos nas águas dessa ponte.
As horas passam, as (h)eras crescem,
Sem fim...
Espero por ti,
que esqueci o nome entre as estrelas
Tão antigas.

Sinto ainda tuas asas, ao meu redor,
Meu protetor.
E as estátuas cobertas de limo olham-me,
Tristes...
E o sopro do passado assobia entre as árvores.
Nesse jardim esquecido.
Onde só as folhas sabem
Como cair sem dor.

E penso que esta não é
minha vida.
Mas um sonho sem fim.
O inferno dos inconscientes.
E vejo-me longe, apartada de ti,
Forçando o Caminho entre os espinhos.
Procurando uma luz nesse mundo,
Um sorriso.
A alegria que aqui não existe.
E, no silêncio, o soar profundo,
De mil folhas a cair.

A carpa foge,
A garça voa,
O corvo fala.

E essa é a música infinita do jardim dos danados.
Fome, loucura, injustiça e miséria.
E eu, como esse nenúfar,
Aquática, etérea
Com um pé em cada mundo, tentando...
Com as raízes na lama e o rosto na luz
ouvir
o que as folhas dizem.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Cantos Cardeais: Curas e celebrações


Divulgando essa energia do bem para os leitores natalenses da Casabruxal. Amanhã (12/10), feriado, não fiquem em casa morgando, vamos unir nossas energias positivas nessa celebração da vida e do amor!
Estão todos convidados :D



Dia 12 de outubro, dia de Nossa senhora da Aparecida, Padroeira do Brasil, dia da criança...

Iremos neste dia realizar uma grande celebração no Parque das Dunas de Natal. Na Folha das Artes abriremos a exposiçãoDe fora adentro- Mapa Gigante de Natal que permanecerá até o domingo dia 16. E Também estaremos celebrando o oitavo aniversário da Casa Mãe Terra.
Durante todo o dia estaremos entre estes dois espaços recebendo os visitantes do Parque. No entanto a partir das 14 horas realizaremos algumas celebrações especiais que terão inicio na Folha das artes, sobre o Mapa Gigante de Natal.

ROTEIRO EVENTO DIA 12.10.2010 no Parque das Dunas

Cantos Cardeais: Curas e celebrações


- OBJETIVO GERAL DO DIA:  Sentir-se terrestre. Promover a sensação de ser terreno, não só em termos de sermos filhos da Terra, mas de também possuirmos a capacidade de cuidar e de curar o nosso lugar, a nossa cidade.

As atividades serão iniciadas no Mapa, permitindo primeiramente o sentido de sentir-se cósmico a partir do local, expandindo e retornando às raízes. No Mapa queremos trabalhar o Ser Integrado através dos processos de interdependência dos fenômenos - na cidade e para além dela.

- Ação I-: Ciranda e apresentação das intenções das atividades que serão realizadas. Telma Romão e Maurício Muli
- Ação II: Meditação/visualização.– Breno e Telma
- Ação III: Acupuntura plástica sobre a cidade de Natal onde serão anexadas palavras com intenções positivas para cada lugar específico na cidade. Maurício Muli e Ed Soares.
- Ação IV: Dança em espiral – fio conector entre o Mapa Gigante da cidade e a Casa Mãe Terra. - Telma
- Ação V: Celebração de Oferenda de flores e Cuidado à Casa Mãe Terra.
- Ação VI: Show de temas infantis com o Grupo Juanitas. Local Casa Mãe Terra com a participação das Cirandeiras do Pium.
- Ação VII: MAMAÇO – Estará sendo realizado durante todo o evento no espaço atrás da escultura Casa Mãe Terra. – Bia da Terra  
- Ação VIII: Louceiras de Sobrado- Monte Alegre- Durante todo o dia realizarão oficina de modelagem em barro e exposição de suas belas peças.

                               Esperamos a tua participação.  Venha celebrar este dia.
                               Leve flores, águas de cheiro e toda tua alegria.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Banho relaxante de ervas


Quando cair a noite, bem na hora bruxa, na cozinha da sua casa comece o feitiço.
Acenda o fogo e numa panela deixe um litro de água ferver.
Numa vasilha de cerâmica, despetale as rosas do seu jardim e 
macere 3 ramos de alecrim.
Sopre bons augúrios nas palmas de suas mãos, três nozes de avelãs e uma romã em botão.
Sorria de prazer ao ver flutuarem no líquido as folhas do manjericão.
Por fim, picote com alegria algumas folhas de menta e semeie lindas e brancas flores de jasmim.

Abafe os espíritos das ervas e flores para não fugirem.

Depois coe num pano limpo o banho mágico e perfume-o mais
com essência de jasmim.
Permita que os florais relaxem seu corpo, deslizando suavemente a partir do pescoço.

"Oh ervas sagradas, que seus espíritos recolhi, peço que me tragam a paz de seus dedos delicados, com a magia que dos antepassados aprendi".

O banho deve secar naturalmente. Depois durma e deixe-se pela viagem seguir...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Bem que eu dizia

Te disseram pra comprar as tais ecobags? Não seja trouxa! Reproduzo artigo do Estadão, o autor é o ambientalista Denner Geovanini.
Fonte: http://blogs.estadao.com.br/dener-giovanini/as-sacolas-plasticas-e-os-engodos-ambientais/



AS SACOLAS PLÁSTICAS E OS ENGODOS AMBIENTAIS

Quem não tem “saco” para ler algumas verdades inconvenientes, como diria o biodesagradável Al Gore, é melhor parar por aqui. Bom. Dado o aviso, siga adiante por sua conta e risco.
No tempo do politicamente correto, a onda é navegar em campanhas ecológicas bem produzidas e que possuem um forte apelo emocional. Nelas, o cidadão é arrebatado pelo chamado da consciência e motivado a contribuir heroicamente para a salvação do planeta.

Campanha: USE MAIS PAPEL HIGIÊNICO E GANHE ECOBAGS!
Muito bem. Muito bonito. E muito inútil e ardiloso também.
Inútil por que em momento algum essas companhas instigam o consumidor a refletir sobre o seu padrão de consumo. Sobre a real necessidade de adquirir esse ou aquele produto.
Ardiloso por que, na base dessas campanhas, está um preceito muito caro para as empresas: o consumo. Então, munidos de apelos sentimentais, os marqueteiros se lançam a convencer o consumidor a comprar produtos ecologicamente corretos. Eu disse, e repito: comprar!
E ai está o segredo que sustenta o interesse da maioria das empresas nessa onda ambientalmente correta: comprar mais. Elas descobriram um novo filão para aumentar as suas vendas e, de quebra, ainda dão um suporte psicológico para que o consumidor possa gastar seu dinheiro acreditando que o está fazendo por uma boa e justa causa.
Aposto que o leitor nunca viu um anúncio dizendo: Você vai trocar de carro? Não, não faça isso. Será que o seu carrão não dura mais um pouco? Faça revisão, mas não compre um novo agora não. A realidade é outra. A mensagem do anunciante é: COMPRE o novo carro X que polui menos! COMPRE o xampu Y que é feito com essências da Amazônia. COMPRE. COMPRE. COMPRE.
Lamento caro leitor, mas na onda do politicamente correto, você faz o papel de trouxa. Ou pelo menos é assim que muitas empresas e certas ONGs enxergam você.
E o que as sacolas plásticas tem a ver com isso?
Elas, as sacolas plásticas, ilustram bem o sentido mercantilista por trás de tais campanhas ecológicas. Elevadas a categoria de vilãs da ecologia, as sacolinhas mereceram até um contra-ataque governamental: a campanha “Saco é um saco”, do ministério do Meio Ambiente, na época em que o seu titular era o ministro Colete Minc.
Pois bem. Nem vou entrar no espetacular e elaboradíssimo mérito criativo do nome dessa campanha. Mas o fato é que se gastou dinheiro público para convencer o consumidor a pagar por algo que antes ele tinha de graça, ou quase isso: sai a sacola plástica e entra a ecológica EcoBag!
Os supermercados agradeceram de joelhos. Agora podem vender EcoBags coloridas, e aumentar seus lucros, ao invés de disponibilizar para o consumidor as tais sacolinhas.
Mas uma vez, muito bem. Muito bonito. Só que inútil e ardiloso.
Ardiloso por que o Ministério do Meio Ambiente optou por seguir, mais uma vez, o caminho da espetacularização e do apelo midiático ao invés de promover a reflexão ambiental no consumidor. Para o MMA, foi mais fácil colocar a culpa das desgraças ambientais brasileiras nas pobres sacolinhas, do que investir em educação ambiental nas escolas.
Inútil por que esse tipo de campanha, apesar de ter receptividade na sociedade, não contribui em nada para melhorar os nossos índices de qualidade ambiental. Pode, inclusive até piorar.
É o que aponta um sério estudo da Agência Ambiental britânica, divulgado esse ano. O documento aponta que o PEAD (Polietileno de Alta Densidade), utilizado para fabricar as sacolas plásticas, é muito menos nocivo ao meio ambiente do que as matérias – primas utilizadas na fabricação das Ecobags. E põe menos nocivo nisso: o PEAD é 200 vezes menos prejudicial ambientalmente e emite apenas um terço de CO2 se comparado as Ecobags.
Para quem desejar conhecer melhor o relatório do governo britânico, basta acessar:

Concorde ou não o leitor, o fato é que nos faltam políticas públicas eficientes e honestas para enfrentarmos os desafios ambientais que temos pela frente. No meio ambiente ainda está valendo a máxima da política: fazer esgoto ninguém quer por que não aparece e, consequentemente, não rende votos.
Continua sendo mais fácil, e mais convincente, fazer campanhas inúteis e passageiras, do que investir em reciclagem ou em legislação de resíduos sólidos. É mais vantajoso culpar sacolinhas plásticas do que multar (e desagradar) empresas mentirosas e irresponsáveis ambientalmente.
Não estou aqui fazendo apologia da sacola plástica. Longe disso. Mas até hoje não consegui ter coragem para colocar o cocô do meu cachorro ou o lixo da minha cozinha dentro de uma Ecobag.
Para finalizar, deixo aos leitores uma bem-humorada (e inconveniente) reflexão sobre as sacolas plásticas produzida pela equipe do site Parafernalha. Com a palavra, a sacola: