quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O magnífico significado da chave



A chave é um símbolo muito recorrente nos contos e mitos do mundo.

No conto do Barba-azul a chave é a saída para a mulher ingênua, na história da Donzela Teodora as respostas corretas são as chaves para a salvação dela e de seu dono. Elas abrem as portas da liberdade de escolha para ela e a sobrevivência do mercador.

Ela figura, em última instância, como um exemplo para as mulheres que se portam como presas ingênuas das circunstâncias e da pressão cultural. A história da donzela Teodora grita a cada página: “esta é a força da mulher, seu conhecimento de alma, as sete artes liberais”. Lembra-nos da velha forma de se referir a algo muito escondido como um “segredo guardado a sete chaves”.

A sábia Teodora é a personificação imaginária dessa potência que acaba por romper a norma cultural. Ela é como Ártemis ou Diana, livre. Na sua história Teodora nega-se a casar com o rei, pois para ela seria como cair na mesma armadilha da esposa do Barba-azul, tendo aprisionada sua alma selvagem.

“Faça o que quiser”, diz o Barba-azul. “Donzela podes pedir, dou-te palavra de honra fazer-te o que exigir, de tudo que pertencer-me, poderás tu te servir”, declara o Rei Miramolin Almançor.

Frases semelhantes que escondem o não dito: “desde que dentro dos limites do meu território, dentro do permitido”. Se ousar transgredir esta norma implícita, a mulher é perseguida, punida e até morta. Portanto, tanta cortesia há de ser muito bem analisada.

Este discurso de liberdade é falso, pois oculta a existência de limites bem definidos. Impede a mulher de conhecer o jogo de poder que existe por traz do que Foucault trata por discursos ou jogos de verdades. Como Psique ao espreitar Cupido, para conhecer a verdadeira face de seu esposo, Teodora acaba por desvendar uma falsa felicidade.

Como nos diz Clarrise Pinkola Estés: Não lhe é permitido registrar o conhecimento sinistro a respeito do predador, muito embora, bem no fundo da psique ela já compreenda bem a questão.


O Barba-azul é a metáfora do discurso armado que procura circunscrever os limites do permitido no campo do conhecimento, agindo de forma a estabelecer as interdições para a mulher neste campo.

Ele proíbe a esposa de usar a pequena chave que a traria de volta à consciência de si mesma.

Para Estés, proibir uma mulher de usar a chave que leva à consciência é o mesmo que lhe arrancar a Mulher Selvagem, seu instinto natural de curiosidade e sua descoberta do que ‘se esconde por baixo’.


Sem esse conhecimento, que advém da própria curiosidade, a mulher está desprovida de proteção adequada. A obediência ao Barba-azul, ao rei ou qualquer outro elemento que figure como predador, assim como às normas restritivas da cultura, significa a morte para o espírito. Então, ao optar-se por abrir a porta de acesso ao horrível quarto proibido, ou ao voltar-se para olhar o que não se deve, escolhe-se a vida, a possibilidade da criação, o movimento, a interação com outros mundos.

A porta fechada, por sua vez, aparece nos contos e mitos como uma barreira psíquica, um impedimento colocado à frente do segredo, que bloqueia a possibilidade de tomarmos conhecimento do que já sabemos intuitivamente. A porta aparece, ainda, como uma possibilidade de travessia, de passagem para o desconhecido. Possibilidade de sair de uma condição para entrar em outra, saída da ignorância para o conhecimento.

Assim, a superação dos obstáculos se dá através do “antídoto mágico correto”: a chave.

14 comentários:

  1. E o hábito de perder a chave de casa, do carro ou do escritório... de lugares importantes para você mesma, o que seria???

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  2. Anônima é apenas mais um dos sinais de que você não se valoriza, não se dá importância, se sente um lixo descartável de mulher e se submete aos insultos dos mais diversos imbecís. Pare de se sentir vítima de tudo e todos. Acorda. Faça o bem aos outros e o receberá de volta.

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  3. quando vc ganha um pingente de chave , o que significa?

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    1. Anonimo(a), primeiro responda a todas as SUAS questões psicológicas que meu texto trouxe à tona. Espelho... Depois, se é tão esperto(a) descubra você mesmo(a) o que fazer com um pingente de chave. boa sorte e obrigada pela visita.

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  4. sonhei que comia uma chave cor de prata,o que significa?

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  5. É um grande fato q acontece em com cada mulher em cada parte do mundo e classes sociais. Muitas querem abrir a porta do conhecimento, se permitir , se livrar das amaras da sociedade que prende muito as pessoas e fazer acreditar que é o certo seguir ''uma norma.'' Mas qualquer pensamento q inflija , faz nos parecer indignos e pervertidos. Não é fácil ter uma mente aperta e defende-la, nos julga sonhadoras e etc e tal. Ultimamente venho me identificado com chaves quero encontrar aquelas antigas e usa-las como objeto de decoração , amuleto e tudo mais. Gostei do Artigo Lu Luz.

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  6. Nossa... Como você é agressiva nas respostas. Ainda bem que deve ter parado de escrever. Eu mesma, não mais voltaria a ler nada seu.

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  7. Verdade! Qta agressividade!

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  8. Perdi uma única chave da casa da minha tia. Isso tem algum significado???
    Não sou de perder as coisas e fiquei furiosa, porque, simplesmente, sumiu e eu não sei como ocorreu o sumiço.
    Obrigada.

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  9. Fui em uma senhora hoje muito conhecida por benzer e ler as mãos das pessoas,ela me disse: chave de ouro carro grande. Queria saber o que sign

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  10. O que significa perder chaves de casa ou carro

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  11. Boa tarde de uns tempos pra cá eu tenho achado com frequência sempre quando estou indo pro meu trabalho chaves de carro e normais o que venha ser isso pois estou ficando intrigado com isso !!!

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  12. Oi! sabe que eu fui "presa" por um homem rude que se negou a dar a chave para eu simplesmente deixar sua vida. Ele negando-me a chave, sabendo que eu o amava e que ele parecia não corresponder em sentimentos, eu percebi que ele não tinha o poder sobre mim. Ele quis, talvez pelas experiências de sua prepotência em seus relacionamentos, acreditou que manteria-me ali refém, até ele escolher o que ELE acreditava ser o apropriado não para mim, mas para ele próprio. Assim mantinha-se seguro, qualquer coisa ele não havia me libertado e teria que arcar com minha saída. Então ele resolveu não dar a "chave" quando eu pedi, pois sabia que era só disso que eu precisava, porquanto ele sabia que o amava. Muitos homens usam o fato de serem amados como forma de prender a mulher e negligenciá-la, deixá-la à mercê de seu poder, duvidando que uma mulher é incapaz de se desprender assim que "liberada" oficialmente. Então eu mesma percebi que eu tinha a chave, ele quem estava do lado de dentro, não eu. Indo embora da vida dele, passou a se sentir "ameaçado" por isso, tornou-se rude, hostil, cruel, fazendo com que todos seus amigos ficassem contra mim, pois para o "mundo dos Homens" a mulher é escrava, escrava por que está acorrentada pelo amor que sente por eles. Em vez de regar o sentimento bom, eles usam para oprimir e dar sofrimento a mulher. Alguns acusaram-me de coisas horríveis, pois não admitiam que eu indo embora de sua vida, sem que ele me desse "consentimento" para isso, eu estaria "fugindo", porque ao revelar que o amava, apenas para que ele pudesse fechar a porta atrás de mim e eu não voltar mais, sem o perigo nem d'eu procura-lo mais, nem ele me procurar, nem cobrar mais nada, apesar do sentimento. Como li uma vez "os sentimentos não vão embora, pessoas sim." As mulheres deveriam aprender que quando um homem é capaz de pensar que pode acorrentá-la pelo amor unilateral vindo dela, mantendo-a em sua vida como um livro qualquer na estante, ou um sanduíche que guarda na geladeira na hora que der fome ir lá e poder se satisfazer. NÃO! O homem que age assim não tem noção de que quem está se fechando é ele próprio, mal nota que está do lado de dentro da jaula. Então quando a mulher se vai embora, eles ficam presos e cheios de ódio, pois não está mais sobre o controle da mulher, senão pela perseguição, ou pelo tormento que cria para si. Todas temos a chave para sair na hora certa, mas pelo tempo que estamos ao lado de alguém é justo anunciar que está pedindo que lhe dê direito de sair sem que venha nunca mais atrás, porque nem mesmo nós voltaremos, por mais doloroso que nos pareça. Deixar alguém que nos prende só por acreditar que amor prende, acorrenta, que escraviza e não liberta, dá coisas boas, trocas de afeto, mil orgasmos, hehehehe...esse sujeito precisa saber que a chave está nas mãos justamente daquela que tenta o "acordo" de tomar-lhe as chaves de suas mãos, como garantia de não ter que se preocupar mais com uma escravidão. Ninguém tem chave, quando se solicita é por resgate, não porque pensa que só ele tem acesso a isso. Saindo de sua vida, perceberá que ele é quem estava preso. Libertem-se! Doi, mas doi mais ficar aprisionada. Boa sorte!

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