domingo, 18 de setembro de 2011

O segredo das nuvens



E não é que quando passam as nuvens,
Velozes,
Todo o resto parece cair?
Parece que passam,
Movendo-se de lá para não se sabe bem onde...
E quando elas, majestosas nuvens, tomando o céu
O resto afagam o rosto,
De leve,
Levam consigo teu nome.

Arrastam, ajudadas pelo vento,
A chuva
Que um dia me encharcou.
Que se misturou às lágrimas,
Que doeu na alma.
Será que levam tudo, poderosas nuvens?
Achas que te levam para longe,
E que meu rosto apagam,
Em sucessivas camadas
De seus véus?

Mas não há, amor,
Nuvem, nem lago,
nem poço, nem trégua.
Não há nada para além deste tempo
Em que gritam os sinos de vento.
Em que enfunam as velas dos barcos,
Que rasgam qualquer folha e afundam qualquer razão.
Não há, coisa alguma, meu amor, que não seja o alto
Lá onde habitam as nuvens.
Não teu cais, nem teu poço.
Diria portanto o Neruda do mar, lembrando-se de ti:

“Não temas, não caias
De novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
E deixe que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
Sem que tu a dirijas,
Porque foi carregada com um instante duro
E esse instante será desarmado em meu peito.”

2 comentários:

  1. odiei, pior saite que eu vjavi horriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiivel
    atençao os autores desse saite da pra melhorar viu

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